quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Promessas ou Erros?

 Promessas (Erros} de Ano Novo! Já nos habituamos à rotina de, na virada do calendário Gregoriano, fazermos promessas de mudanças, propormos intenções nova, blá, blá, blá.. Como se pudéssemos antecipar o fluxo da vida com suas idas e vindas. Como se pudéssemos saber como nos comportaremos nas novas e, com certeza, inesperadas, mudanças no nosso entorno. A Espontaneidade Moreniana não se refere a um planejamento metódico do futuro com todas as possíveis alternativas previstas com planos alternativos de resolvê-las. Mas a experimentar e refletir. Assim, ao revés do hábito de novas promessas, desejo a todos erros novos. Cometam erros novos. Não tê-los é viver uma vida conservada, mecânica. Repeti-los é não refletir sobre suas ações e seguir em frente desconsiderando os fatos e contextos e relações. Desejo que estejam sempre abertos ao futuro, agindo e ponderando. Experimentando e Refletindo.

Felizes Erros Novos

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Solstícios, Natal e Psicodrama

Parodiando Fernando Pessoa, o Símbolo é o nada que é tudo. A origem do Natal está nas comemorações do Solstício de Inverno no Hemisfério Norte. Solstícios são os pontos da trajetória terrestre (a Terra tem seu eixo inclinado) em que os hemisférios estão mais próximos (verão) ou mais distantes (inverno) do Sol. Assim, para as tradições místicas do Hemisfério Norte, esse período era quando, em seu hemisfério, em Dezembro, a inclinação da Terra em relação ao Sol, voltava a se aproximar, quando o Inverno anunciava o seu fim, quando as esperanças de um novo plantio, de um degelo, surgiam, respondendo à expectativa da espera. Nas tradições místicas isso era o símbolo da renovação, do anúncio de um novo tempo. Avatares e deuses eram comemorados nesse dia. Krishina, Mitra, por exemplo. Por isto a tradição cristã aproveitou-se desse simbolismo. Entre nós. no Hemisfério Sul, é o Solstício de verão, dia mais longo, noite, qualquer que seja o tipo de noite, mais curta. E isso que tem a ver com o nosso Psicodrama/Teatro Espontâneo? Nada. E tudo. Moreno, o criador do Método Socionômico (Psicodrama, Teatro Espontâneo, Sociodrama) era um judeu imbuído das tradições judaicas, principalmente da filosofia hassídica. E esse Hassidismo tinha por base a renovação, a fé na transformação, a esperança de um recomeço. Socionomia, Sociodrama, Psicodrama Morenianos são sempre fundados nessa atitude de mudança, transformação, um novo olhar, uma nova chance, um outro começo. Noites mais e mais curtas, dias e dias mais longos. Que seja assim e assim seja para cada pessoa e para todas as pessoas.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Crítica bem crítica

Estive vendo um vídeo em que há fortes críticas ao exercício do Psicodrama feitas em tom irônico. Ao terminar de vê-lo, o primeiro sentimento foi algo irritado ou raivoso. "Estão mexendo com meu "precioso"". Mas, a seguir parei para refletir. O que poderíamos aproveitar do que foi dito? Como transformar merda em adubo?. A primeira questão é: "Estamos, enquanto Psicodramatistas, prontos para fundamentar o que fazemos?". A outra seria, quanto do que fazemos já não se tornou uma conserva psicodramática? Esse termo designa em psicodramatês aquelas produções humanas que são repetidas e repetidas já havendo perdido o sentido ou sendo feitas apenas "porque é assim". Ou seja, algo estático no tempo sem ser vivificado pela experiência e reflexão. A sequencia psicodramática é realizada dissociada do olhar sobre o grupo. Outra ainda seria a  banalização das vivências. Essas são programadas, não extraem seu resultado diretamente da experiência psicodramática. Mas são atos programados, pensados, desenhados, com início, meio e fim. Marcia Karpp diz em uma de suas entrevistas a Sérgio Guimarães que Moreno falava: "Throw away the script" Jogue fora o roteiro). Zerka Moreno em outra entrevista a Sérgio refere-se a essa necessidade da construção psicodramática ser fruto da experiência grupal imediata. Quantas vezes o ato psicodramático é transformado em jogos apenas, sem nem serem jogos psicodramáticos, em que o jogo é aquecimento para o desenrolar. Ou seja, colocando-se no palco dois personagens, um psicodramatista e um crítico do Psicodrama como seria esse ato psicodramático? seria a cadeira vazia dos tempos de hoje. Como tornar nosso conhecimento e ação lastreados suficientemente para nos dar maneiras de responder às críticas, sem usar argumentos ad hominem? Quanto a carapuça nos cabe?

domingo, 14 de dezembro de 2025

Pontes entre mundos

 Por que palco? Por que não apenas cadeiras? vamos voltar para as origens gregas. . Era Theatron e Skené (Cena ou palco). Theatron significa "lugar de onde se vê". Skené, cena ou palco, lugar onde a história acontece. Na cena teatral habitual assim é. Mas, a chamada quarta parede, o muro invisível que separa o palco da plateia, é rompida. No cinema , o filme Rosa púrpura do Cairo faz a de Woody Allen, faz a personagem sair da tela para a vida e relação coma personagem feminina. Em um dos episódios da série Além da Imaginação (Twilight zone) faz o contrário. Na realidade esse episódio precedeu em mais de 20 anos o filme de Allen. O Psicodrama, tendo se originado do Teatro, lhe guarda semelhanças. E diferenças. Uma dela delas refere-se à quarta parede. Ela não existe. Todo o tempo o que acontece no palco pode transitar para a plateia e vice-versa, da plateia para o palco. Esta mútua fertilização, do protagonista no palco e da plateia grupal, enriquece, fecunda, potencializa a ação psicodramática. Neste ambiente psicodramática a plateia funciona como a realidade compartilhada, a "realidade real". E o palco como a realidade dramática, a realidade poética, no dizer de Moreno. Só assim poderemos compreender a profunda importância da técnica do Espelho. Nela, o protagonista sai do palco. Fisicamente sai. e de lá da plateia, de sua realidade "real", pode ver-se psicodramatizado por um ego auxiliar, vendo sua cena, podendo ponderar, refletir, escolher, decidir a próxima ação ao regressar ao palco. Entrar e sair do palco é transitar entre a realidade vivida e a realidade poética, aquela brecha, aquele fosso, criado desde a infância, onde ainda não existe, para a realidade "adulta, madura", em que pode se tornar e se torna, intransponível, quase intransponível. Em que o sonho, a fantasia, a imaginação, o "faz-de-conta", o "era uma vez", estão definitivamente separadas da "vida real".  Para quem conhece a mitologia nórdica, existe a Bifrost, a ponte de vidro que liga o Mitgard o reino dos seres humanos ao Asgard,  o reino do deuses.  Psicodrama é algo como uma Bifrost religando o que já foi uno, tonou-se dois, e pode fazer voltar a ser possível o transito entre os mundos.

sábado, 6 de dezembro de 2025

A esperança e a fé


 Os Semeadores do Psicodrama. Esta peça, criada pelo belo Nori Cepeda junto com outros psicodramatistas retrata o momento histórico que os primeiros psicodramatistas brasileiros foram se formando e, a partir deles, foi sendo gerada a grande prole dos psicodramatistas. Não estive presente em corpo, mas sim em coração e espírito. Mas, essa foto, publicada por Nori me tirou do sério. Em psicodramatês diria que esse foi um Momento Moreniano. O verde da iluminação pode 9 e para mim é) a própria esperança que regou o terreno dos primeiros psicodramatistas. E esse legado de esperança, de fé na construção coletiva, na força e potência que o grupo tem, na capacidade autoregenerativa de cada ser humano, na fé na liberdade, na rejeição ao autoritarismo. Quem conhece a história do Psicodrama e de Moreno, a história do psicodrama brasileiro, se vê representado na foto (eu me vejo). Quem não conhece essas histórias deixe-se levar pela foto e pelo título. Assim, vc recriará em vc esse passado presentificado pela sua experiência.

Postagem em destaque

E assim é.

Experimentar e refletir.  Este blog é um espaço para mostrar ideias sobre o psicodrama, sobre o teatro espontâneo.  Há mais de trinta anos...