Conta-se que Picasso em seu início de vida artística passava os dias no Louvre copiando e copiando os mestres l[a expostos. Copiando e aprendendo e apreendendo as técnicas. depois criou sua forma de ver e pintar o mundo. Voltemos ao mundo psicodramático. Parece-me que as coisas andam um tanto "antiPicasso". Escutei de um mestre do jiujitsu uma analogia interessante e apropriada para nossa situação. Ele falava dos 10 números básicos. Seu domínio e combinação permite a criação de séries infinitas de números. O Psicodrama Moreniano-Zerkiano (lembrando que a companheira de Moreno deu a nossa forma moderna de compreender e praticar o Psicodrama) é um Método. Não são apenas as técnicas psicodramáticas que fazem o Psicodrama. Há um Por Que. Um Para Que e um Como fazer. O Próprio Moreno referia-se a isso quando lamentava que a filosofia do Psicodrama estava relegada às bibliotecas. O Psicodrama, o Método Socionômico, tem uma fundamentação que embasa o Olhar Psicodramático, a maneira de perceber a gestalt do mundo como uma sistema de relações interpessoais e intergrupais. Como um método que coloca no grupo a potência da criação lastreada na espontaneidade. Como um método que confia no grupo como criador e gestor de si. Um método que reconhece no sistema de relações entre papéis a base de compreensão das relações individuais. Um método que reconhece a interpenetração dos contextos social, grupal e psicodramáticos. Um método, um caminho em que a bússola, necessariamente, é a filosofia Moreno-Zerkiana.
sábado, 24 de janeiro de 2026
quarta-feira, 7 de janeiro de 2026
Humanos ou psicoterapeutas?
O psicoterapeuta é um ser humano. Igual ao paciente que o procura? Este que vai em busca de ajuda sente-se, de alguma forma, desorganizado, confuso, em um estado nebuloso. E o psicoterapeuta? Pelas mesmas circunstâncias do paciente ou similares pode estar vivenciando um momento assim em sua vida de ser humano, fora do papel profissional. Então, para exercer esse papel há que ser um supra ser humano, "resolvido", inabalável, acima das dores humanas? Penso que não. Então, o que? Aí, a compreensão dos papéis, psicodramaticamente falando, é proveitosa. Todo papel é aquela forma de atuar em relação á pessoa em papel complementar. Papel, estamos no teatro, no cinema? Não. O termo adveio do teatro em que cada personagem desempenha múltiplos papéis. Por exemplo, o protagonista pode ser o advogado, o filho, o pai, o irmão, o amigo, o assassino, o ladrão. Cada um desses papeis tem script diferente dos outros, embora desempenhado pelo mesmo personagem. com características, próprias) E cada papel tem seu complementar, que existe por causa dele e o faz existir: advogado/cliente, filho/pai, pai/filho, irmão/irmão, amigo/amigo, assassino/vítima, ladrão/ vítima.. Os papeis se constituem mutuamente. Um dos aspectos importantes no desempenho de cada papel é o binômio diferenciação/indiferenciação. Estar diferenciado é ter percepção dos fluxos que passam por vc, é perceber quando sua resposta a seu papel complementar é a resposta adequada ao papel ou está sendo impulsivamente movida pela mobilização interna. Claro que não é fácil no dia a dia de todas as pessoas. Nossas respostas e ações em cada papel é, continuamente, interferida pelo desempenho dos outros papéis. Machado de Assis tem um conto em que um esporro de um ministro em seu chefe de gabinete vai descendo na escala funcional até um cachorro, no final, ser chutado, pelo auxiliar de limpeza. Mas, no papel profissional há que haver a busca da diferenciação no papel. principalmente no papel profissional de psicoterapeuta, psicóloga/o psiquiatra. Sim. Podemos estar sofrendo, putos da vida, felizes, tristes. Mas, necessitamos de manter esta contínua vigilância da diferenciação, de perceber-se transferindo (e esta é acepção que Moreno utiliza para a palavra transferência) de outra relação de papéis a resposta que estamos dando a nosso papel complementar. Diferenciar-se ou indiferenciar-se, that's the question.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2025
Promessas ou Erros?
Promessas (Erros} de Ano Novo! Já nos habituamos à rotina de, na virada do calendário Gregoriano, fazermos promessas de mudanças, propormos intenções nova, blá, blá, blá.. Como se pudéssemos antecipar o fluxo da vida com suas idas e vindas. Como se pudéssemos saber como nos comportaremos nas novas e, com certeza, inesperadas, mudanças no nosso entorno. A Espontaneidade Moreniana não se refere a um planejamento metódico do futuro com todas as possíveis alternativas previstas com planos alternativos de resolvê-las. Mas a experimentar e refletir. Assim, ao revés do hábito de novas promessas, desejo a todos erros novos. Cometam erros novos. Não tê-los é viver uma vida conservada, mecânica. Repeti-los é não refletir sobre suas ações e seguir em frente desconsiderando os fatos e contextos e relações. Desejo que estejam sempre abertos ao futuro, agindo e ponderando. Experimentando e Refletindo.
Felizes Erros Novos
quarta-feira, 24 de dezembro de 2025
Solstícios, Natal e Psicodrama
quarta-feira, 17 de dezembro de 2025
Crítica bem crítica
domingo, 14 de dezembro de 2025
Pontes entre mundos
Por que palco? Por que não apenas cadeiras? vamos voltar para as origens gregas. . Era Theatron e Skené (Cena ou palco). Theatron significa "lugar de onde se vê". Skené, cena ou palco, lugar onde a história acontece. Na cena teatral habitual assim é. Mas, a chamada quarta parede, o muro invisível que separa o palco da plateia, é rompida. No cinema , o filme Rosa púrpura do Cairo faz a de Woody Allen, faz a personagem sair da tela para a vida e relação coma personagem feminina. Em um dos episódios da série Além da Imaginação (Twilight zone) faz o contrário. Na realidade esse episódio precedeu em mais de 20 anos o filme de Allen. O Psicodrama, tendo se originado do Teatro, lhe guarda semelhanças. E diferenças. Uma dela delas refere-se à quarta parede. Ela não existe. Todo o tempo o que acontece no palco pode transitar para a plateia e vice-versa, da plateia para o palco. Esta mútua fertilização, do protagonista no palco e da plateia grupal, enriquece, fecunda, potencializa a ação psicodramática. Neste ambiente psicodramática a plateia funciona como a realidade compartilhada, a "realidade real". E o palco como a realidade dramática, a realidade poética, no dizer de Moreno. Só assim poderemos compreender a profunda importância da técnica do Espelho. Nela, o protagonista sai do palco. Fisicamente sai. e de lá da plateia, de sua realidade "real", pode ver-se psicodramatizado por um ego auxiliar, vendo sua cena, podendo ponderar, refletir, escolher, decidir a próxima ação ao regressar ao palco. Entrar e sair do palco é transitar entre a realidade vivida e a realidade poética, aquela brecha, aquele fosso, criado desde a infância, onde ainda não existe, para a realidade "adulta, madura", em que pode se tornar e se torna, intransponível, quase intransponível. Em que o sonho, a fantasia, a imaginação, o "faz-de-conta", o "era uma vez", estão definitivamente separadas da "vida real". Para quem conhece a mitologia nórdica, existe a Bifrost, a ponte de vidro que liga o Mitgard o reino dos seres humanos ao Asgard, o reino do deuses. Psicodrama é algo como uma Bifrost religando o que já foi uno, tonou-se dois, e pode fazer voltar a ser possível o transito entre os mundos.
sábado, 6 de dezembro de 2025
A esperança e a fé
domingo, 23 de novembro de 2025
Atrasados
segunda-feira, 17 de novembro de 2025
Espelho que não é espelho
Durante esse período de alguns dias sem postar estive em várias atividades publicas de Psicodrama. Em uma, particularmente, me chamou a atenção o uso que um participante fez de uma técnica psicodramática. Ele disse: "quero fazer um espelho". O que ele fez a seguir foi uma admoestação moral do comportamento do protagonista. O psicodrama tem três técnicas básicas. A dublagem (duplo), o espelho e a inversão de papéis. Vou-me deter aqui no espelho. Para isso preciso falar do palco, um dos instrumentos do psicodrama. Por que palco? O palco tem uma função cênica, de realçar, amplificar, aquilo que lá acontece. Mas, no Psicodrama, delimita a fronteira entre a realidade real, que está na plateia, e a realidade dramática que está no palco. Entrar e sair do palco NÃO é um mero ato físico. É sair e entrar em dois mundos. A criança faz assim com extrema facilidade. Mas o adulto, não. O espelho, como técnica, possibilita que o protagonista se veja em ação. Mas, ele tem que estar FORA do palco. Ver-se como a plateia o vê. Ver-se em ação. Então, a proposta de fazer um espelho exige a saída do protagonista do palco, um ego auxiliar tomando seu papel e repetindo sua cena. Ver-se em cena e daí poder deslocar sua observação e propor saídas outras até então invisíveis dentro da cena. É ver-se filmado e dizer: "Porra, fiz isso mesmo? Falo assim mesmo?". Mas, em nenhum lugar, absolutamente nenhum lugar do Psicodrama cabe dizer ao protagonista o que ele deve sentir ou fazer. Essa é um achado, uma descoberta que há que ser feita pelo protagonista. E só assim cumprirá a meta psicoterápica: acrescentar ou mudar seu ponto de vista
sábado, 25 de outubro de 2025
Surpresa
segunda-feira, 20 de outubro de 2025
Significado
O epitáfio de J.L.Moreno, criador do Psicodrama foi: "Aqui jaz aquele que trouxe a alegria à Psiquiatria". Será um bufão o psicodramatista, será um eterno sorridente, será um daqueles que riem da dor alheia? Será um eterno feliz? Refletindo, acho que não. A alegria de a que Moreno se refere é a alegria de Nietsche, alegria da potência da força vital, a alegria da potência da mudança, a alegria da vida significativa. Dentro da dor, do sofrimento, do risco, do perigo, da angústia, pode existir a consciência da potência, a consciência da possibilidade de mudança. Não é felicidade, não é sorriso constante. O escritor Saint Exupéry escreveu: "Aquilo que dá sentido à vida, dá sentido à morte"; Isso é vida significativa. Penso ser essa visão Moreniana.
sexta-feira, 10 de outubro de 2025
deu match
Psicodrama não é novo. Mas sempre é inovador. Estar presente num ato psicodramático é, sempre ou quase sempre, capaz de mobilizar de forma permanente sua plateia ou protagonista. O grupo psicodramático é uma enorme e profunda caixa de consonâncias e ressonâncias. Consonância é aquilo da cena que bate comigo, dá liga, da match. Ressonância são todas as minhas respostas a esses pontos de contato com a cena. Essa relação entre plateia e cena é mutuamente fertilizadora. Em um ato psicodramático realizado em uma faculdade de Psicologia, a protagonista diz, em um momento: "eu estou sentindo tudo que senti na hora". Moreno chamava o instante em que o protagonista integra uma compreensão de sua situação de catarse de integração. Não é apenas um instante de ab-reação, de descarga emocional, mas de compreensão cognitiva de sua cena. "A ficha cai". Psicodrama não é apenas desafogar, descarregar, emocionar-se. É, sim, ter um momento Aleph, como dizia Jorge Luís Borges. Aristóteles falava em peripécia, o instante em que tudo muda, aparece uma perspectiva inexistente, até então. E por que isso seria psicoterápico? Porque o protagonista e/ou a plateia saem do imobilismo da visão única, congelada, petrificada. Em linguagem psicodramática, sai da conserva em que estava imerso, da vida que "é assim mesmo". É assim mesmo, mas talvez possa ser algo mais. Isso é Psicodrama.
sexta-feira, 26 de setembro de 2025
personagem e papel. Um esboço.
Hoje, num atendimento, a pessoa, que convive com seu namorado há alguns anos, vai se casar em poucos dias. E ela está muito e muito nervosa, como ela diz. E pergunta, é diferente agora? Por que estou tão nervosa se já estamos juntos há tanto tempo? os papeis teatrais (role, em inglês) são desempenhados por personagens (characters}. Por exemplo, o papel de mãe em uma peça pode ser desempenhado, inicialmente, pela personagem X. Posteriormente, outra personagem Y a sequestra e a substitui no papel de mãe. O papel tem funções prescritas pelo autor. Fora dos palcos, os papéis também têm sua expectativa de desempenho, têm seu script definido. Há papéis com alto grau de prescrição social que, praticamente congela o personagem que irá desempenhá-lo. A margem de criatividade torna-se reduzida. Há outros papéis, entretanto, em que a prescrição é somente um esboço, abrindo espaço para atuações variadas. O papel social matrimonial tem alta prescrição social. E isso inclui escolhas, ações, vestuário, comportamento e mais outros tantos. Essa paciente a que me referi, funciona com cônjuge há anos. Porém, sua titulação é de namorada e namorado. Ao casar-se, incorpora um novo papel com outra cota de demandas sociais e pessoais. A formalização do ato traduz-se pela assunção de novo papel. E a personagem (ou o personagem). A personagem desempenha múltiplos papeis. namorada, profissional, familiar, amiga. E em todos eles sua personagem é vista no desempenho de todos seus papéis. Em cada um desses papeis é possível reconhecer-se o personagem que o desempenha. Ele imprime sua marca em todas as atuações. Personagem, em português, como vejo, é o mais próximo conceito psicodramático do conceito de personalidade nas outras visões psicológicas
sábado, 6 de setembro de 2025
Tempo, Espaço, Condução
Tempo, Espontaneidade, Espaço, Espontaneidade. Às vezes, parece que fazer Psicodrama é vivenciar um happening, apenas usufruindo da vivência sem nenhuma forma de organização. Não é assim. Parodiando Polonio no Hamlet "é louco, mas tem seu método". Ao Diretor cabe manter o total controle do tempo e do espaço. Embora ele seja um membro do grupo, em seu papel diferenciado ele não deve deixar-se levar pelo encantamento do momento e perder-se dentro dos critérios de tempo e espaço. O absoluto controle do tempo é vital para saber a cada momento, se há tempo para uma nova imagem, um desdobramento cênico, uma ressonância maior. Saber se cabe dar início a algo novo ou apenas acolher a manifestação. E no espaço há que se lembrar que o palco delimita os dois mundo. o Real "real" e o Real "cênico". A mais que famosa brecha realidade fantasia traduzida em um espaço concreto. Os membros da atividade não devem consultar o relógio. Se o fizerem e isso for percebido pelo Condutor ou sua unidade funcional sinaliza que o aquecimento está fraquejando. Mas a unidade funcional, a codireção, precisa saber, a cada momento onde a atividade está em relação ao tempo disponível ou contratado. Dirigir, Conduzir uma atividade socionômica é como um equilibrista que tem um olhar genérico e um um olhar específico para cada um dos malabares que esteja jogando. A visão do grupo e a visão do membro do grupo. Não é fácil, à primeira vista. Mas, é possível. Treinando, repetindo, observando e repetindo e observando.
domingo, 17 de agosto de 2025
Não pode e não deve acontecer
Por que o Psicodrama não tem tanta difusão no meio Psi? talvez porque o Psicodrama ser um método de ação ele necessite ser experimentado antes de ser valorizado. pelos aspectos teóricos literários não parece ser algo muito atraente á simples leitura. E como, dia a dia, o próprio exercício do Psicodrama pelo Psicodramatista vai se tornando mais psicoterapia de fala e escuta e menos de ação e cena, vai perdendo e deixando de ganhar espaços no ambiente Psi. Há muito tempo o Mestre Moysés Aguiar alertava que o Psicodrama tornava-se cada vez mais Psi e menos Drama. E isso é um enorme risco para a a continuidade desse Método. Caricaturalmente, tirar ou diminuir a sua principal ferramenta diferencial é como emudecer e ensurdecer a Psicanálise. Simplesmente não faz sentido. A cena torna o Psicodrama o único método tridimensional, capaz de colocar e acentuar nuances de expressão impossíveis de serem percebidas num relato verbal. O Psicodrama não é uma psicoterapia corporal, mas é uma psicoterapia em que o corpo, o tom da voz, a prosódia de emissão da fala, a postura, o movimentar-se, traduz-se como expressão total de um ser humano. Em que é possível a vivência plena, no aqui e agora, do passado vivido ou não, do presente vivido ou não, do futuro desejado ou temido. Só e exclusivamente porque temos a Cena, o mundo tridimensionalmente vivido.
Postagem em destaque
E assim é.
Experimentar e refletir. Este blog é um espaço para mostrar ideias sobre o psicodrama, sobre o teatro espontâneo. Há mais de trinta anos...
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Em Socionomia (Psicodrama, Sociodrama, Axiodrama) há um conceito central que não é fácil para ser compreendido e utilizado. Tele. Essa pala...
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CONVITE AO ENCONTRO ( JACOB LEVY MORENO) Mais importante do que a ciência, é o que ela produz, Uma resposta provoca uma centena de p...
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Quando não podemos fazer algo apenas por nós mesmos pedimos ajuda à instrumentos, objetos ou a outras pessoas. Aos míopes, o óculos é um in...
