quinta-feira, 19 de março de 2026

coisas

 Em uma hipervisão (como denomino uma supervisão ampla, que olhe não apenas a técnica, mas desde o atendimento ao lidar com o paciente) apareceram dois casos que tinham algo de similar. Em ambos a demanda do paciente não era clara, Aí me veio à lembrança uma imagem de infância. Era uma vista lateral de um corte de uma porta de entrada. Fora, havia uma imagem crística batendo na porta. porta sem maçaneta externa. E via-se a pessoa dentro, com o braço e mão a caminho da porta. Porta com maçaneta. Era uma imagem de cunho religioso para demostrar a fé individual. Mas, retirando-se a conotação religiosa, pode exemplificar, graficamente, a relação terapêutica. Infelizmente, não encontrei reproduções desse quadro. Mas, voltando, em toda área terapêutica, tirando as situações emergenciais ou de urgência, o contrato é sempre e sempre, 51%( paciente) - 49% (profissional). Os seja, a maçaneta é do lado de dentro. E, como nesses casos e em outro relatado, ficava nítido que a dificuldade, em quaisquer que sejam as formas de tratamento, não é o problema em si, mas como a própria pessoa lida com o problema. Esta frase refere-se ao paciente, mas a viramos contra o profissional, aí veremos que, sem reconhecer e conhecer a pessoa e sua forma de viver sua vida, fica-se girando em círculos como um cachorro correndo atrás do rabo. Considerando como dificuldade o problema apresentado. Sendo médico, é trocando infinitamente de prescrição e desesperando-se. Sendo psicoterapeuta fica-se buscando, inutilmente, saídas técnicas, sempre fechadas pelo próprio paciente. E desesperando-se. Arrombar a porta, seja para o visitante da imagem, do médico com seu paciente, do psicoterapeuta com seu paciente, é sempre e será sempre, uma violência. Sendo assim e sentida assim pelo paciente. É nosso trabalho.

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Experimentar e refletir.  Este blog é um espaço para mostrar ideias sobre o psicodrama, sobre o teatro espontâneo.  Há mais de trinta anos...