domingo, 23 de novembro de 2025

Atrasados

Quando estou para iniciar uma atividade psicodramática a organização me pergunta o que fazer com os retardatários. Minha resposta, na maioria das vezes, é "deixe entrar". Por que isso? faz parte de uma curiosidade minha: Como aquele que chega sem ter participado do aquecimento ou mesmo das cenas desenroladas, capta o clima do grupo.
E quando peço exatamente isso o que tenho encontrado é uma consonância e uma ressonância totalmente harmônicas com o que aconteceu, mas não foi presenciado. O que me demonstra que o Coincosciente Moreniano, aquilo amorfo, porém construído por tudo o que aconteceu na construção grupal, é uma realidade que pode e é capturada pelos membros grupais. Algo que existe, criado pelo grupo e durando o que o grupo dura. Mas uma realidade psicodramática.

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Espelho que não é espelho

 Durante esse período de alguns dias sem postar estive em várias atividades publicas de Psicodrama. Em uma, particularmente, me chamou a atenção o uso que um participante fez de uma técnica psicodramática. Ele disse: "quero fazer um espelho". O que ele fez a seguir foi uma admoestação moral do comportamento do protagonista. O psicodrama tem três técnicas básicas. A dublagem (duplo), o espelho e a inversão de papéis. Vou-me deter aqui no espelho. Para isso preciso falar do palco, um dos instrumentos do psicodrama. Por que palco? O palco tem uma função cênica, de realçar, amplificar, aquilo que lá acontece. Mas, no Psicodrama, delimita a fronteira entre a realidade real, que está na plateia, e a realidade dramática que está no palco. Entrar e sair do palco NÃO é um mero ato físico. É sair e entrar em dois mundos. A criança faz assim com extrema facilidade. Mas o adulto, não. O espelho, como técnica, possibilita que o protagonista se veja em ação. Mas, ele tem que estar FORA do palco. Ver-se como a plateia o vê. Ver-se em ação. Então, a proposta de fazer um espelho exige a saída do protagonista do palco, um ego auxiliar tomando seu papel e repetindo sua cena. Ver-se em cena e daí poder deslocar sua observação e propor saídas outras até então invisíveis dentro da cena. É ver-se filmado e dizer: "Porra, fiz isso mesmo? Falo assim mesmo?". Mas, em nenhum lugar, absolutamente nenhum lugar do Psicodrama cabe dizer ao protagonista o que ele deve sentir ou fazer. Essa é um achado, uma descoberta que há que ser feita pelo protagonista. E só assim cumprirá a meta psicoterápica: acrescentar ou mudar seu ponto de vista

Postagem em destaque

E assim é.

Experimentar e refletir.  Este blog é um espaço para mostrar ideias sobre o psicodrama, sobre o teatro espontâneo.  Há mais de trinta anos...