segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Espelho que não é espelho

 Durante esse período de alguns dias sem postar estive em várias atividades publicas de Psicodrama. Em uma, particularmente, me chamou a atenção o uso que um participante fez de uma técnica psicodramática. Ele disse: "quero fazer um espelho". O que ele fez a seguir foi uma admoestação moral do comportamento do protagonista. O psicodrama tem três técnicas básicas. A dublagem (duplo), o espelho e a inversão de papéis. Vou-me deter aqui no espelho. Para isso preciso falar do palco, um dos instrumentos do psicodrama. Por que palco? O palco tem uma função cênica, de realçar, amplificar, aquilo que lá acontece. Mas, no Psicodrama, delimita a fronteira entre a realidade real, que está na plateia, e a realidade dramática que está no palco. Entrar e sair do palco NÃO é um mero ato físico. É sair e entrar em dois mundos. A criança faz assim com extrema facilidade. Mas o adulto, não. O espelho, como técnica, possibilita que o protagonista se veja em ação. Mas, ele tem que estar FORA do palco. Ver-se como a plateia o vê. Ver-se em ação. Então, a proposta de fazer um espelho exige a saída do protagonista do palco, um ego auxiliar tomando seu papel e repetindo sua cena. Ver-se em cena e daí poder deslocar sua observação e propor saídas outras até então invisíveis dentro da cena. É ver-se filmado e dizer: "Porra, fiz isso mesmo? Falo assim mesmo?". Mas, em nenhum lugar, absolutamente nenhum lugar do Psicodrama cabe dizer ao protagonista o que ele deve sentir ou fazer. Essa é um achado, uma descoberta que há que ser feita pelo protagonista. E só assim cumprirá a meta psicoterápica: acrescentar ou mudar seu ponto de vista

Um comentário:

  1. Amei sua explicação sobre esta técnica maravilhosa do Espelho. Sua colocação clara e prática sobre a importância e a função do palco na aplicação da técnica, foi quase que inovadora para mim. Abraço.

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Experimentar e refletir.  Este blog é um espaço para mostrar ideias sobre o psicodrama, sobre o teatro espontâneo.  Há mais de trinta anos...