O psicoterapeuta é um ser humano. Igual ao paciente que o procura? Este que vai em busca de ajuda sente-se, de alguma forma, desorganizado, confuso, em um estado nebuloso. E o psicoterapeuta? Pelas mesmas circunstâncias do paciente ou similares pode estar vivenciando um momento assim em sua vida de ser humano, fora do papel profissional. Então, para exercer esse papel há que ser um supra ser humano, "resolvido", inabalável, acima das dores humanas? Penso que não. Então, o que? Aí, a compreensão dos papéis, psicodramaticamente falando, é proveitosa. Todo papel é aquela forma de atuar em relação á pessoa em papel complementar. Papel, estamos no teatro, no cinema? Não. O termo adveio do teatro em que cada personagem desempenha múltiplos papéis. Por exemplo, o protagonista pode ser o advogado, o filho, o pai, o irmão, o amigo, o assassino, o ladrão. Cada um desses papeis tem script diferente dos outros, embora desempenhado pelo mesmo personagem. com características, próprias) E cada papel tem seu complementar, que existe por causa dele e o faz existir: advogado/cliente, filho/pai, pai/filho, irmão/irmão, amigo/amigo, assassino/vítima, ladrão/ vítima.. Os papeis se constituem mutuamente. Um dos aspectos importantes no desempenho de cada papel é o binômio diferenciação/indiferenciação. Estar diferenciado é ter percepção dos fluxos que passam por vc, é perceber quando sua resposta a seu papel complementar é a resposta adequada ao papel ou está sendo impulsivamente movida pela mobilização interna. Claro que não é fácil no dia a dia de todas as pessoas. Nossas respostas e ações em cada papel é, continuamente, interferida pelo desempenho dos outros papéis. Machado de Assis tem um conto em que um esporro de um ministro em seu chefe de gabinete vai descendo na escala funcional até um cachorro, no final, ser chutado, pelo auxiliar de limpeza. Mas, no papel profissional há que haver a busca da diferenciação no papel. principalmente no papel profissional de psicoterapeuta, psicóloga/o psiquiatra. Sim. Podemos estar sofrendo, putos da vida, felizes, tristes. Mas, necessitamos de manter esta contínua vigilância da diferenciação, de perceber-se transferindo (e esta é acepção que Moreno utiliza para a palavra transferência) de outra relação de papéis a resposta que estamos dando a nosso papel complementar. Diferenciar-se ou indiferenciar-se, that's the question.
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