sábado, 21 de março de 2026

É

 Um escritor italiano Ítalo Calvino tem um livro com o título Um, Nenhum, Cem mil. Psicodrama é assim. O método, embasado, enraizado, embebido da filosofia Moreniana, é assim. Funciona em um, às vezes em nenhum, e muitos cem mil. Hoje, em nosso encontro, foram quase quatro horas de uma atividade maratonal. A tal ponto que qualquer hora mencionada poderia ser crível. O tempo esteve, não parado, mas imerso na intensidade, tão imerso que ele contava pelo relógio da fantasia moreniana. Duas histórias humanas. Ricas, intensas, humanas. Terêncio, poeta romano, dizia que "Nada do que é humano me é estranho". Tudo nos conecta. A sua história, a tua história, a minha história, se entrelaçam no roteiro de todos os humanos. Por isso o Psicodrama é possível. Por isso o Teatro é possível. Por isso o cinema é possível. Por isso a Arte é sempre possível. Como diria Raul e P. Coelho em Gita: "Raso, largo, profundo". Meu coração estava entre a minha boca e minha mão. Conduzido, qual cego, pela intensidade das protagonistas sequenciais. Seguindo-as, como cego, guiando-as, como cego. sentindo, tatilmente, o que cada uma delas sentia. Deixando o Diretor  ser guiado. E chegamos duas vezes ao porto. Anunciado por sorrisos em semblantes antes tão sofridos, marcados de lágrimas e dor. Sorrisos de "Ops, então pode ser isto!". Sorrisos em mundo de dor cristalizada, antes um sorriso não cabia. Chorar, numa palavra moreniana pode ser uma conserva. Uma maneira conservada de assistir sua própria história. Cristalizada, repetitiva, imutável. Sorrir diante de sua própria história pode ser um áureo alvorecer, um anúncio, uma contramão em nossa maneira de nos enxergarmos. E repetindo os muros da França em 1968:  "Por que não?"

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Experimentar e refletir.  Este blog é um espaço para mostrar ideias sobre o psicodrama, sobre o teatro espontâneo.  Há mais de trinta anos...