quinta-feira, 7 de maio de 2026

A punição de Atlas

 Como eu digo a um paciente ou a um grupo que "não sei"? Como fazer isso sem me sentir fraco, frágil? Será que isso demonstrará minha insegurança? Se há uma fantasia que é comum aos pacientes ou membros de um grupo compartilham é a onipotência do diretor, psicoterapeuta, psiquiatra, psicólogo. Para aqueles, estes sabem tudo e têm solução para tudo. E têm a obrigação de saber e fazer. Mas, o profissional Não deveria ter essa mesma fantasia sobre seu papel. Ter essa onipotência, ter a onipotência de tudo saber e tudo conhecer e tudo fazer, cria no profissional um peso que beira o insuportável. O que leve esses profissionais a temerem o papel de psicoterapeuta, de médico, de psicólogo. Não sei tudo, não tenho a obrigação de "carregar" o tratamento, o acompanhamento, sozinho. Essas relações terapêuticas são complementares. Seja grupo, paciente, cliente, todos eles dividem, talvez com cotas diferentes, a responsabilidade pela construção dessa relação. Ignorar algo é reconhecer que há uma lacuna de conhecimento que precisa ser preenchida. Mas, o grupo, o paciente, o cliente são coparticipantes dessa ação. Por isso, posso dizer ao grupo, ao paciente, ao cliente, "não sei a resposta, vou procurar saber". Por isso posso escutar do grupo, do paciente, do cliente, " e se fizéssemos isto ou aquilo"? O paciente, o cliente, o grupo também têm seu saber próprio do qual podemos nos apropriar em benefício da relação construída. Carregar o Mundo nas costas foi uma punição dada ao velho Titã, Atlas, pela rebeldia de se opor a Zeus. As profissões terapêuticas não deveriam ser vividas punitivamente pelo profissionais.

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Experimentar e refletir.  Este blog é um espaço para mostrar ideias sobre o psicodrama, sobre o teatro espontâneo.  Há mais de trinta anos...