sexta-feira, 10 de outubro de 2025

deu match

 Psicodrama não é novo. Mas sempre é inovador. Estar presente num ato psicodramático é, sempre ou quase sempre, capaz de mobilizar de forma permanente sua plateia ou protagonista. O grupo psicodramático é uma enorme e profunda caixa de consonâncias e ressonâncias. Consonância é aquilo da cena que bate comigo, dá liga, da match. Ressonância são todas as minhas respostas a esses pontos de contato com a cena. Essa relação entre plateia e cena é mutuamente fertilizadora. Em um ato psicodramático realizado em uma faculdade de Psicologia, a protagonista diz, em um momento: "eu estou sentindo tudo que senti na hora". Moreno chamava o instante em que o protagonista integra uma compreensão de sua situação de catarse de integração. Não é apenas um instante de ab-reação, de descarga emocional, mas de compreensão cognitiva de sua cena. "A ficha cai". Psicodrama não é apenas desafogar, descarregar, emocionar-se. É, sim, ter um  momento Aleph, como dizia Jorge Luís Borges. Aristóteles falava em peripécia, o instante em que tudo muda, aparece uma perspectiva inexistente, até então. E por que isso seria psicoterápico? Porque o protagonista e/ou a plateia saem do imobilismo da visão única, congelada, petrificada. Em linguagem psicodramática, sai da conserva em que estava imerso, da vida que "é assim mesmo". É assim mesmo, mas talvez possa ser algo mais. Isso é Psicodrama.


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Experimentar e refletir.  Este blog é um espaço para mostrar ideias sobre o psicodrama, sobre o teatro espontâneo.  Há mais de trinta anos...