domingo, 17 de maio de 2026

Os Gregos e João Batista

 Quem seria o primeiro (proto) que combate, disputa (agon) - protagonista? Quando, no Teatro grego ou no Teatro moderno, se fala de protagonista, está-se falando do papel principal da peça. No Psicodrama, o protagonista aquele representante grupal que encarna o drama grupal naquele momento. No Psicodrama, quase sempre é o paciente ou cliente. Mas, usemos os nossos neurônios, livres para pensar. Quem, em seu papel, tem o destino trágico? Quem, seu papel, não pode voltar atrás, sair em meio à encenação, desistir de estar presente? Quem tem a obrigação cênica de dar a cara no inicio do trabalho? Quem deve chegar primeiro ao palco? A quem todos olham nos começos dos trabalhos? A quem todos dirigem um olhar interrogativo e interrogador? Quem tem um pé dentro e um pé fora do grupo? Dentro, para sentir e deixar-se atravessar pelas correntes circulando no coinconsciente grupal. Fora, para ter um olhar objetivo, poder ver o grupo como uma gestalt única. Adapte-se isto ao Psicodrama Bipessoal e teremos o mesmo, talvez até de atuação mais complexa. O Diretor  de Psicodrama. Ou, na minhas forma de conceber, o Condutor de Psicodrama. Ele, tem a tragicidade grega, ter o inelutável destino já escrito: terá que percorrer aquele caminho. É o primeiro a chegar ao palco, é o primeiro a mostrar sua cara ao público. É o que tem a tarefa e missão de aquecer o agrupamento-público e ajudá-la a tornar-se o grupo-plateia. Ele não pode abandonar seu papel, desistir de participar. Ele, o Condutor de Psicodrama, é o o protagonista do Psicodrama,  o Protagonista do Sociopsicodrama, do Teatro Espontâneo. Enfim, Protagonista da Socionomia Moreniana. E, em seu destino grego, já determinado, sabe que terá de, gradualmente diminuir seu papel para possibilitar o surgir do protagonista Grupal. Algo do que escrevi já está escrito nos Evangelhos, dito por João Batista,: "A partir de agora devo diminuir para o Messias crescer". Imaginemos, por instantes, que João houvesse recusado diminuir seu papel. Deixar de ser o, até então, protagonista da cena. Haveria uma competição, e, talvez, não houvesse o papel do Messias. E isto pode, sim, acontecer nos palcos psicodramáticos ou teatrais. Quando esse papel de precursor, protagonista socionômico, diretor teatral, se torna mais importante que seu objetivo: a criação. Falando em nosso mundo psicodramático, quando o condutor psicodramático usa o agrupamento para demonstrar, exibir, sua virtuosidade técnica. Em lugar do protagonista encarnar o drama grupal e o pessoal, encarnará, vicariamente, o drama da vaidade do diretor. A Cena é do Protagonista Grupal.

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