sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Psicodrama: Dando-se conta

Esta semana, em um início de psicoterapia, a pessoa contava sua relação com apostas eletrônicas. Envergonhado, culposo e culpado. Pergunto se a companheira sabe. Resposta  aflita: "Não". " Não suportaria o apoio dela, porque sei que me apoiaria, mas seria uma decepção, para mim, decepcioná-la". E isto já vem ocorrendo há mais de um ano.  Seu distanciamento culposo, sua autorrecriminação, seu autojulgamento e sua autopunição, o afasta da família e de sua companheira . E, ao ser questionado se poderia falar, diz: "Agora ela pode me perdoar, mas ficaria a mancha da falta de confiança nela, pois já rola há muito tempo". E, assim, vai-se distanciando de todos e construindo um isolamento por auto decepção, Dilema humano, mas potencialmente fatal. Há um livro de Hermann Hesse, Demian, que conta algo parecido. Um adolescente, emil sinclair, envolve-se em um furto besta. E, vai-se afundando no crime por se achar longe da família, não merecedor de seu apoio ou perdão ou compreensão. No livro, é resgatado pela ação de Demian. Mas, esse é um drama humano. Talvez, até,  haja sido o drama de Judas Iscariotes. E o risco é o mesmo. Autodestruição por autoexclusão e autopunição. Como, claramente, havia um dilema, entrei  como a parte culposa e culpada e ele como a parte racional e racionalizante. A cena permaneceu num impasse. mas, houve um acréscimo à imobilidade anterior: Ele se deu conta que nele é que residiria o caminho de solucionar, não nas outras pessoas.

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E assim é.

Experimentar e refletir.  Este blog é um espaço para mostrar ideias sobre o psicodrama, sobre o teatro espontâneo.  Há mais de trinta anos...