sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Onde se fala de pinceis, artistas e outras coisas.

 

Mas, afinal, o que é Psicodrama? Talvez o que esteja escrevendo agora seja algo incomodativo. Mas penso ser útil refletirmos. Há as técnicas usadas em Psicodrama. Há o Psicodrama. Há o bisturi e há a cirurgia. Há pinceis e tintas e há o pintor. Há o pintor e há o artista plástico. O Psicodrama, Sociodrama, Axiodrama, todos resumidos na palavra Psicodrama, têm técnicas próprias. Mas, tal como usar pincel não faz um artista plástico, utilizar técnicas psicodramáticas não cria, necessariamente, um Psicodrama. O psicodrama se fundamenta na autonomia do grupo/protagonista. Na criação coletiva grupal ou da criação coletiva do par diretor/protagonista. Baseia-se em não pressuposição, em não buscar uma solução para a hipótese do psicoterapeuta, na percepção do protagonista da cena montada, da inclusão em seu próprio ponto de vista dos pontos de vista alcançados pelas inversões de papéis. Moreno dizia, segundo Marcia Karpp, "Throw away the script". "Jogue fora o roteiro".  Ou seja, siga o protagonista. O aquecimento é o preparatório das ferramentas necessárias para o grupo/indivíduo aproximar-se de sua espontaneidade. Não deveria ser uma forma de indução do tema proposto, do fim pretendido. Aliás, aproveitando, em Inglês, To Pretend é fingir e não pretender. Transpondo para o Português, o Tema, se a unidade funcional for seguir o fim "pretendido", em Português, será um fim "fingido (pretend)" em Inglês. Será o fim visado pela Unidade Funcional, não será o fim construído pela espontaneidade/criatividade psicodramática. Terá usado pinceis psicodramáticos, mas não será uma obra psicodramática. 

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Experimentar e refletir.  Este blog é um espaço para mostrar ideias sobre o psicodrama, sobre o teatro espontâneo.  Há mais de trinta anos...