quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Música, oh, música!

Escutando Volta de Lupicínio Rodrigues. Nesta belíssima música há um verso: "Pois meu corpo está acostumado". E me lembrei de Tatuagem de Chico Buarque: "Quero ficar no teu corpo feito tatuagem...". E me veio Moreno à mente: "O corpo lembra o que a mente esquece". Quando Moreno iniciou suas experimentações, ele pretendeu incluir o corpo, a ação, na narrativa. Como, até então, o peso era a a narrativa verbal, era a fala, o discurso, Ele passa a incluir não apenas a narração verbal, mas a cena, com seus tons e semitons, nuances. A fala, o discurso, não são excluídos do Psicodrama. Eles estão na cena. O corpo, a voz, o conteúdo verbal, a prosódia, a maneira e o jeito de falar, o gestual, a linguagem analógica da expressão corporal. A isto Moreno chamava "Acting out". O oposto que ele via nas outras formas psicoterápicas, o "Acting in". Nesse último, era "atuar para dentro”; a cena estava interna, apenas narrada. Morenianamente, Acting Out é expressar, atuar para fora, dramatizar. "Don't tell, just play". No ambiente do palco psicodramático. Act out é atuar psicoterapeuticamente dentro do palco psicodramático. Por isso o palco. Um “como se que se torna um como é. Não é uma atuação teatral, não é o acting out psicanalítico. É o psicodramatizar. "A segunda vez verdadeira libera a primeira". Disse Moreno. A primeira vez é a vida. A segunda vez verdadeira é a cena psicodramática. Nesta segunda vez verdadeira, o passado, o presente e o futuro são o agora. Todos os lá são aqui. E como diria o poeta Gilberto Gil: "O melhor lugar do mundo é aqui e  agora". 

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