Nesta última semana estivemos envolvidos no Congresso Brasileiro de Psicodrama online. Apresentei um escrito tocando no assunto do afeto e a direção psicodramática. Em geral, os afetos são desprivilegiados em comparação à cognição. Entretanto, como a afetividade é a qualificação da experiência do humana, é aquilo que adjetiva o viver, esta característica faz da afetividade um orientador da experiência humana. Na direção psicodramática, seja em Psicodrama ou Teatro Espontâneo, afetividade do diretor/condutor, ou seja, sua diferenciação em perceber afetivamente o grupo, faz desse estado sua bússola sociométrica para direcionar suas ações e escolhas do processo de dirigir/conduzir.
quarta-feira, 14 de outubro de 2020
quarta-feira, 23 de setembro de 2020
Só, sozinho revisitado
Assistindo ao filme clássico Fogo contra fogo, com os grandes Al Pacino e Robert De Niro, há uma fal da personagem de De Niro: "I'm alone, but I'm not a lonely man". "Sou sozinho, mas não sou um solitário". E isso me pôs a pensar. Estar só, sentir-se só. Sozinho, solitário. Estados de espírito não iguais, muito diferentes. Estar só é algo espacial, geográfico. É não ter pessoas em volta. Apenas isto. Sentir-se só é outra coisa. Nada tem a ver com quantidade de pessoas. Sentir-se só é consequência de uma pobreza relacional. Solidão é não ter vínculos com nada. Uma pessoa isolada geograficamente vive e sobrevive das certezas de seus laços afetivos, das lembranças e desejos. Sentir-se só, o estar em solidão, é reconhecer a inexistência, é sentir o peso da ausência de vínculos que o ancore com o mundo.
"Eu 'tava só, sozinho
Mais solitário que um paulistano
Que um canastrão na hora que cai o pano"
Zeca Baleiro
"É ser isolado na alma, e isso é que é ser vadio,
É ter que pedir aos dias que passem, e nos deixem, e isso é que é ser pedinte"
Fernando Pessoa
sexta-feira, 18 de setembro de 2020
Figura e fundo
Durante uma atividade online psicodramática de supervisão surge uma história de uma primeira visita, quando estudante, de um hospital psiquiátrico. A pessoa conta que foi abordada por um "paciente" e não sabia o que falar e ficou muda, calada. Proponho a recriação da cena. No momento que a personagem-paciente surge perguntando onde fica o ponto de ônibus, interrompo a cena e peço seu solilóquio. Diz ela: "não sei o que devo e se devo falar. ão sei se piorarei ele com o que disser". Peço-lhe para fazer essa cena em outro ambiente. Numa rua comum. E uma pessoa, desempenhada pelo mesmo ego-auxiliar, lhe pergunta onde fica o ponto de ônibus mais próximo. Ela responde naturalmente, dando as indicações necessárias. Proponho um espelho das duas cenas e lhe pergunto a diferença. O contexto, o cenário. Num cenário de hospital quem não é funcionário, é paciente. Num contexto, num cenário de rua, são pessoas se encontrando. O contexto, o cenário, criam pressuposições que direcionam nossa ação. O fundo interfere na percepção da figura. E o nosso Psicodrama ajuda a perceber isso ao recriar e criar cenários e contextos e cenas.
segunda-feira, 7 de setembro de 2020
con-fusão de papéis
Uma das coisas mais ouvida, ultimamente, é que as pessoas estão cansadas, irritadas, exauridas e exaustas. E o Psicodrama tem algo para dizer.
Todos nós desempenhamos múltiplos papéis na vida. Parceiro afetivo, pais, profissionais, torcedor de time, membro de partido político, membro de uma religião, pais, filhos etc. Cada papel desses tem seu papel complementar mediados por um vínculo afetivo. E cada papel desses ,também, tem seu espaço, seu palco,seu cenário, seu tempo. ainda que pudéssemos estar sobrecarregados de papéis sociais no mundo pré-pandemia, agora, durante a pandemia, a situação sofreu alterações. Os papéis sociais continuam a existir. Aqueles que já tínhamos, continuamos a tê-los. Mas agora é diferente. Agora, durante este tempo pandêmico, todos os papéis sociais estão sendo desempenhados no mesmo locus, no mesmo cenário, ao mesmo tempo. Um pai, trabalhando, online,responde ao filho que está tendo aula online, sentados na mesma mesa onde tomaram o desjejum e aguardamo o almoço. A mãe, também sentada à mesa, trabalhando online, responde como mãe à discussão entre pai e filho, enquanto responde à colega de trabalho no Zoom. O cenário não mudou,os tempos se superpõem os papéis se mesclaram, as respostas afetivas estão mais confusas que anteriormente. A demanda de solicitações simultâneas e múltiplas está produzindo exaustão e tédio. A semana tinha sete dias, com fisionomias diferentes. Hoje a semana semana se compõe de um único dia ´prolongado, onde tudo acontece, mas tudo é monotonamente repetitivo. Os atores desempenham várias peças, sem mudar de cenário, e misturando as falas de cada personagem.
quarta-feira, 19 de agosto de 2020
Pandemia e Psicodrama
Há cerca de 4 meses estou com um canal no youtube e uma conta no instagram. Psiquiatria em outro Tom e @psiquiatriaemoutrotom. Tenho observado que as visualizações são muito maiores do que as desse Blog. A difusão também é maior. A linguagem escrita parece não estar em primeiro plano atualmente. E aí penso como Moreno, desde muito cedo, desde a década de 40/50 já se ocupava dos meios visuais. Televisão, cinema. Ele já antecipava que o uso desses recursos audio-visuais seriam uma maneira de ter alcance maior que a atividade psicodramática presencial ou literária. Com a pandemia o uso de encontros psicodramáticos virtuais multiplicou-se. Atingimos um patamar que, há seis meses, parecia impossível ou não-desejável. Hoje, faço atividades psicodramáticas com participantes de todo o Brasil. É a mesma coisa que a atividade presencial? Não, não é. Mas é outra coisa. É a resposta para este momento. Criatividade, para Moreno, era encontrar uma resposta adequada para uma situação nova (o que é nosso caso aqui) ou encontrar uma solução adequada para um problema antigo. Ao psicodrama presencial se agregou o psicodrama virtual. Que bom que nosso método foi e é capaz de responder criativamente à crise.
terça-feira, 28 de julho de 2020
Conserva cultural
quarta-feira, 22 de julho de 2020
Aqui e agora
quinta-feira, 16 de julho de 2020
Grupo
"Diferente esse Psicodrama!" (Angélica). Semanalmente nos encontramos online. Semanalmente construímosum grupo para fazeralgo juntos. Semanalmente temos o compartilhamento final em que a sensação de construção coletiva e pertinência grupal está presente. Ontem, pouco antes do horário marcado tive uma ocorrência. Um paciente com ideação suicida que me ligava do interior. Além da situação clínica em si, é uma pessoa marcada pela culpa de tudo ter e nada sentir de bom. Cancelei o evento já que não sabia o tempo que precisaria. "Cancelei o evento". Não é verdade. Se fôra um evento ele poderia ter sido cancelado. Mas, nunca foi um evento. Sempre foi uma construção coletiva. E, após mais de duas horas, quando escrevi ao grupo "Resolvido", imediatamente tive retorno, tive uma ressonância grupal. O grupo sempre esteve ali e estava ali. Aguardando, sustentando, suportando. Esta é a sensação do protagonista. E esta é a sensação do grupo. "Diferente esse Psicodrama". Não foi diferente. Foi um grupo de Psicodrama. Só isto. E basta.
sexta-feira, 3 de julho de 2020
Psicodrama virtual: teatro ou cinema
terça-feira, 23 de junho de 2020
Respeito
sexta-feira, 19 de junho de 2020
Ignorância e burrice
terça-feira, 16 de junho de 2020
papéis, isolamento, loop
terça-feira, 9 de junho de 2020
Diretor problema
quinta-feira, 4 de junho de 2020
Mentira e Realidade Suplementar
segunda-feira, 1 de junho de 2020
Realidade suplementar
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