Há alguns dias estava assistindo a Império Contra-Ataca, Star Wars. E Yoda, Mestre Jedi, ao ser perguntado por Luke o que encontraria na caverna, responde: "Você encontrará o que você levar com você". Hoje, cedo, li uma provocação de um velho amigo Jorge Augusto (Gina) sobre uma técnica muita conhecida do Psicodrama, a Loja Mágica. Esse jogo dramático é simples. Alguém assume uma loja e todos do grupo podem vir pegar o que quiser e levar. Mas, há uma condição: tem que deixar algo em troca que talvez outro pegue. Se, imaginariamente, pretendo levar "criatividade", preciso escolher o que deixar. Impulsividade, p. ex. Mas, talvez o próximo que viesse buscar paz, escolha a impulsividade deixada pelo outro e explique :"Percebi que preciso é de mais ação, movimentar-me mais, deixar de ficar à espera". Não é certo e errado, não é bom ou ruim. É sobre perceber o que se tem e de que se precisa. É sobre sair do pensar estereotipado. Talvez haja sido o que Mestre Yoda queria fazer Luke perceber: Se não sabemos o que temos e carregamos encontraremos sempre isto pelo caminho. Ao Psicodrama/Teatro Espontâneo cabe a perspectiva do explorar, experimentar dramaticamente, de possibilitar sair dos caminhos antigos e, por isso, conhecidos e repetidos. Falando psicodramaticamente, a forma de sentir, pensar, ver e agir conservadas, tornadas conservas, fixas e imutáveis, podem ser (e são!) atingidas e modificadas pela experiência psicodramática.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2021
quarta-feira, 22 de dezembro de 2021
De Solstícios e Anos Novos
Como a órbita da Terra é elíptica e o globo terrestre ocupa um dos focos da elipse, em dois períodos do ano o dia é mais longo (Solstício de Verão) ou mais curto (Solstício de Inverno). E em dois períodos, os dias e noites têm a mesma duração (Equinócios de Primavera e Outono). Nos tempos antigos esse eram sinalizadores de tempo para os seres humanos. O Equinócio de Primavera marcava o inicio do ano, do plantio. No Hemisfério Norte corresponde a meados de Março. O Solstício de Verão (meados de Junho) no Norte era comemorado com fogueiras. E o Solstício de Inverno (meados de Dezembro), como era a noite mais longa do ano, marcava o fim da trajetória de Inverno e o início da caminhada do Sol em direção à Primavera. Essa data sempre foi considerada no hemisfério Norte como a data de nascimento de grandes guias da humanidade. Krishna, Mitra, e posteriormente, Jesus, por anunciar o retorno à vida depois de inverno rigoroso. Para nós do Hemisfério Sul prece contraditório por termos herdado a cultura do Norte. Mas, independentemente da geografia, o simbolismo permanece. O tempo sempre foi cíclico para a humanidade. Após inverno, o renascimento da primavera. Após gelo e penúria, pode-se esperar o plantio e a abundância. O tempo mítico sempre foi cíclico. Nossa cultura competitiva é que criou o tempo linear, de sucesso ou fracasso, ganhar ou perder, ser o primeiro ou ser derrotado. O fim do ano, o fechamento do ano gregoriano, traz embutido a sensação de nova chance, novos planos, novas oportunidades. "Promessas de ano-novo". Essa possibilidade de fazer de outro jeito, de experimentar outros caminhos, de fechar um ciclo e abrir novos ciclos, de sair do imobilismo trágico, é a filosofia Moreniana do Psicodrama. Que seja um feliz Solstício (Verão ou Inverno) e que seja uma nova Primavera. Que seja um novo ano!
quarta-feira, 15 de dezembro de 2021
Pra você
Em 1970 o cantor e compositor Silvio Cesar (os mais antigos lembrarão!) lançou a música Pra Você, sucesso estourado à época. No final há esse verso: "Ah, se eu fosse você, eu voltava pra mim". Solução poética maravilhosa. E, psicodramaticamente, também. O conceito de Inversão de Papéis, não só uma das três técnicas fundamentais do Psicodrama, como é, também, o grande objetivo relacional da Socionomia. .A possibilidade de inverter os papéis numa relação permite que os dois envolvidos acrescentem a visão de mundo do outro à sua própria. Quanto mais inversões de papéis aconteçam nos vínculos, mais eles se tornam estáveis. Menos monólogos alternados e mais diálogos reais. No verso de Sílvio César, imaginemos a cena em um palco psicodramático: o casal, o par, e um diz: "eu quero voltar para você". Invertem os papéis. Aquele que escutou a frase é quem a diz agora:: "eu quero voltar pra você". Aquele que o diz agora, ao retornar a seu papel original, tem a chance de perceber, "de dentro", como o outro se sente. Não apenas o que diz, mas como sente. Isto significa que haverá "happy end"? Não. Significa que os dois podem decidir com base na experiência do outro, acrescida à sua. Silvio César, os poetas, a arte, os artistas, como sempre, chegam primeiro e mais esteticamente bem resolvidos, aos conceitos relacionais que nós, profissionais da área penamos em descobrir.
sexta-feira, 10 de dezembro de 2021
prurido na língua
Talvez a maior dificuldade para um psicodramatista é deixar de ter a postura e expectativa interpretativa. Essa é natural do ser humano. Perguntar "Por Que?" Pressupor o Por Que?. É quase algo instintivo, responder-se a qualquer comentário de alguém com um "por que vc fez?", por ex. A mudança que o Psicodrama cobra inicia-se no próprio psicodramatista. Aprender a ver, enxergar e propor uma cena em que o protagonista, por ele mesmo, veja e enxergue e conclua o que puder concluir. Abster-se do prurido na língua de dizer algo inteligente, mas que é sua conclusão, sua interpretação, seu ponto de vista. E não de quem, essencialmente, será o próprio agente de sua mudança: o Protagonista.
terça-feira, 7 de dezembro de 2021
engrenagens e vínculos
sexta-feira, 3 de dezembro de 2021
Duplo, dublagem
segunda-feira, 29 de novembro de 2021
Noel Rosa
Ouvindo "Feitio de Oração" de Vadico/Noel Rosa escutei este verso: "Sambar é chorar de alegria, é sorrir de nostalgia, dentro da melodia". A construção dessa letra por Noel coloca coisas paradoxais como possíveis e necessárias. mas agrega um fator limitador: "Dentro da melodia". Isto é uma metáfora maravilhosa (para mim!) para os conceitos de Espontaneidade, Criatividade e adequação à cena. No palco do Psicodrama ou do Teatro Espontâneo ou de qualquer outro atividade Socionômica, cabe qualquer cena, necessita-se que haja exploração de impossíveis, mas tem que ser "dentro da melodia". Melodia, música, improvisação, tem limites a serem cumpridos, até para serem ultrapassados. Pode-se atravessar uma parede, mas há que ter a parede. A nossa "melodia" no Psicodrama/Teatro Espontâneo corresponde à adequação à cena, à resposta que faz evoluir o ato. É esta toda a diferença entre espontaneidade criadora e o mero espontaneismo. O espontaneismo é o simples e destrutivo "falar o que vem à cabeça" sem respeitar os limites da adequação à realidade, cênica ou existencial. A Espontaneidade Criadora pode "chorar de alegria', pode "sorrir de nostalgia", mas sempre e sempre "dentro da melodia".
sexta-feira, 26 de novembro de 2021
aluno e estudante
Como o Psicodrama é um método, e método é uma forma de ver, relacional, sempre a pergunta presente é: "Em que papel?". Sendo o papel um conceito em que se admite a existência de papéis que se complementam e têm a possibilidade de se alternarem ao longo do tempo. Tendo isto em mente, pensemos em duas palavras: Aluno e Estudante. Serão sinônimos do ponto de vista psicodramático? Penso que não. Apliquemos a teoria de papéis da Teoria Socionômica Moreniana. Quem serão seus papéis complementares: Ao papel de Aluno, imediatamente, vem, o Professor. E quem é o papel complementar do Estudante? Claramente não será o Professor. Então, quem? Em minha visão, o Estudante tem como seu papel complementar o Conhecimento. Aluno x Professor. Estudante x Conhecimento. As escolas, será que pensam nisso?
quarta-feira, 24 de novembro de 2021
Começo e planos
Há um verso de Fernando Pessoa em Mensagem: "Todo começo é involuntário." De uma certa maneira, parece dizer que nada é planejado, Tudo é racionalizado a posteriori, viés de confirmação em retrospectiva. De outra maneira, parece sugerir que diante dos fatos, todo o planejamento precisa ser modificado para adaptar-se à nova conformação. Dirigir em Psicodrama é assim. Mesmo que, ainda que, haja um planejamento, o grupo impõe uma realidade que faz com que as escolhas do condutor tenham que se adaptar, adequar, encontrar novas saídas. Criatividade e Espontaneidade. Espontaneidade para deixar o que se trouxe planejado e manejar o que se encontrou. Criatividade para as novas e adequadas ações.
segunda-feira, 22 de novembro de 2021
Tele. outra vez
segunda-feira, 8 de novembro de 2021
Moreno místico
Quando Moreno dizia que o psicodrama era muito potente para apenas ser uma ferramenta psicoterápica, em meu pensamento, isso quer dizer que , fundamentalmente, Psicodrama é uma forma de ver, sentir e agir no mundo. Para o Psicodramatista, a mudança que se opera nele é expressa em todas as relações entre papéis que ele estabelece na vida. O reconhecimento (e vivência) da teoria transforma o psicodramatista nos vínculos que ele estabelece ao longo da vida. Talvez não seja estranho que a primeira visão de Moreno do mundo relacional era uma visão mística. o misticismo estabelece uma ligação direta entre o mundo, a divindade e a pessoa. Entre o a sociedade, grupo, o palco e o protagonista, diriam os psicodramatistas.
sexta-feira, 29 de outubro de 2021
experiência
A experiência subjetiva não é compartilhável. Ela é acessada por metáforas e analogias. "Como se". O Psicodrama ao recriar no palco, com o aquecimento necessário, a cena em seu tempo presente, e portanto, naquele momento, o tempo real, permite que tome o lugar do protagonista, tenha a amplificação da experiência do protagonista. Psicodrama é uma experiência analógica da experiência real do protagonista.
quarta-feira, 20 de outubro de 2021
Pequenina e Tele
Escutava uma música de Renato Teixeira, cantada por Xangai de nome "Pequenina". E nela há esse verso de beleza absurda:
quarta-feira, 13 de outubro de 2021
Palco
O que é o palco no Psicodrama? Não é apenas um praticável delimitado. O palco é qualquer lugar onde a ação dramática se desenrolará. Uma cadeira onde esteja sentado um paciente será seu palco. Um trecho de sala onde a cena aconteça será o palco dessa cena. O importante é o conceito que há dentro e há fora de palco. Convencionado isto é possível usar o palco e todas as técnicas psicodramáticas. Por que o dentro e fora? Porque, para o Psicodrama, entrar e sair de um palco é o exercício de entrar e sair do mundo da imaginação ou fantasia. É o que permite o "como se" psicodramático. É o que valida o espelho como técnica psicodramática. É aprender a recuperar aquilo que a criança faz, transitar entre o fantástico e o real com fluidez. O palco é criado pela ação dramática. Onde o está corpo estará o palco.
quarta-feira, 6 de outubro de 2021
primeira pessoa
Uma coisa que considero muito importante em qualquer atividade da área Psi, seja Psicodrama ou Psiquiatria, é em observar quem é o narrador da história contada. Muitas e muitas vezes é usada a terceira pessoa do singular (você, a gente) ou a primeira pessoa do plural (nós). Uma história contada assim é como, em um palco psicodramático, a pessoa subisse e contasse assim a história. O diretor pediria, imediatamente, "fale em primeira pessoa e no tempo presente". Por que? É que ao se falar em primeira pessoa e no tempo presente deixamos de ser plateia de nossa história e passamos a protagonista dela. Seja em Psicodrama, seja em Psiquiatria.
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Experimentar e refletir. Este blog é um espaço para mostrar ideias sobre o psicodrama, sobre o teatro espontâneo. Há mais de trinta anos...
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