"I could be bounded in a nutshell and count myself a king of infinite space, were it not that I have bad dreams", Hamlet, Shakespeare. (eu poderia estar preso numa casca de noz e mesmo assim me considerar rei de espaços infinitos. Se não tivesse sonhos maus). Essa frase hamletiana tornou-se muito conhecida pela citação feita por Stephen Hawking em seu livro Universo numa Casca de Noz. E o Psicodrama com isso, que é que tem? Esse trecho de Shakespeare nos remete ao enorme poder da imaginação em relação às limitações materiais. E também ao poder destrutivo dos sonhos maus. O Psicodrama usa da nossa imaginação para o seu Como Se. Todo o trabalho inicial, mas contínuo, do aquecimento visa manter a imaginação em atividade. O sonho mau, os sonhos maus shakespearianos, acontecem quando o aquecimento decai, a imaginação fraqueja, a dramatização torna-se representação forçada. Aí a casca de noz volta a se fechar sobre o protagonista e o grupo, limitando-os e os prendendo à realidade imediata.
quarta-feira, 14 de março de 2018
terça-feira, 13 de março de 2018
Teatro Espontâneo e Psicodrama
Com o longo tempo e grande número de atividades públicas de Teatro Espontâneo/Psicodrama/Sociodrama penso algumas coisas sobre fazer essas atividades socionômicas em circunstâncias difíceis. Divido
em expectativas e contexto físico. O contexto grupal terapêutico é
bastante diferente do contexto grupal em uma atividade aberta,
pública. Uma questão importante que o Diretor/Condutor deve atentar
é que no contexto terapêutico os participantes têm um compromisso
tácito de frequência e permanência no grupo. Em uma atividade
pública as pessoas entram e saem na medida de sua conveniência ou
interesse. O único empecilho para a saída antecipada do
participante seria a vergonha de atravessar o espaço físico. Nestas
atividades abertas, públicas mais do que nunca o aquecimento é
vital. Torna-se mandatório perceber a queda de atenção do
participante, estar vigilante para o ritmo da cena, para o interesse
despertado porque nada prende a pessoa como membro do grupo, só este
interesse. Daí porque quem trabalha com TE é tão cuidadoso quanto
ao ritmo da cena e é tão cioso do aquecimento. O julgamento crítico
negativo do grupo é exibido clara e cruamente pela saída
progressiva dos participantes. Temos outra dificuldade que é fruto
até próprio bom desenrolar da atividade de TE. É quando dentro de
uma história criada emerge uma situação pessoal que pela sua
intensidade não pode apenas ser acolhida à parte do desenrolar. É
quando se entra no conflito ético de precisar trabalhar como
Psicodrama Público quando a proposta era de TE. As poucas vezes em
que isto aconteceu a cena original foi congelada e levantada a
questão para a pessoa e para o grupo de como seguiríamos. Alguma
vez houve acordo da pessoa e do grupo para trabalharmos a questão
pessoal. Em uma ocasião, como Diretor/Condutor tomei a iniciativa de
não dar prosseguimento ao trabalho embora aceite pelo grupo e pela
pessoa por considerar que, naquele momento, não havia nem haveria
continência para um trabalho de cunho terapêutico stricto sensu.
Mas, enfim, este é um risco inerente a todo trabalho grupal e, ainda
que devamos nos prevenir, às vezes não há como evitar lidar com
este dilema. A decisão será sempre levando em conta o grupo, a
pessoa e a sensibilidade télica do Diretor/Condutor.
A
outra parte de dificuldade refere-se ao contexto físico, ao espaço
destinado ao trabalho. O espaço há que ser proporcional ao tamanho
do grupo. Grupo grande em espaço pequeno é tão problemático
quanto grupo pequeno em espaço muito grande. O primeiro é
complicado pela limitação de movimento e o segundo complica pela
sensação grupal de pequenez, como se reduzisse a importância do
grupo, acentuando seu pequeno tamanho. A compatibilização é muito
importante para o aquecimento e desdobramento do trabalho. A presença
de cadeiras fixas torna-se um empecilho considerável. Neste caso
pode-se pensar nos corredores, na parte da frente das cadeiras. Tudo
na dependência do tamanho do grupo. Em último caso, há a
possibilidade de fazer-se o aquecimento nos próprios lugares, usando
mais a palavra. Cantos, jogos verbais, desafios entre partes do
auditório podem ser usados deixando os poucos espaços livres para a
cena em si. Não nos esqueçamos nunca que a palavra também pode ser
uma forma de ação. Locais sem cadeiras, espaços abertos, podem não
ser muito bons para pessoas com limitações físicas ou com idade
avançada. Isto favoreceria a saída precoce destas pessoas, não por
desinteresse, mas por desconforto. Então, é necessário perceber os
sinais de desconforto físico, minimizá-los se possível, ou
trabalhar a saída delas de maneira que não seja desaquecimento para
o grupo e que elas, ao sair, não se sintam inteiramente frustradas
ou discriminadas.
Estes
são alguns exemplos de dificuldades no exercício do ato socionomico
em espaço público ou aberto. Entretanto, lembremos alguns pontos:
não esperemos a situação ideal; o método psicodramático
pressupõe que tomemos a realidade tal como ela se apresenta; o
Diretor/Condutor não carrega o grupo, não é o responsável
solitário pelas decisões e escolhas; cabe ao Diretor/Condutor,
seguindo o método socionômico, ter sempre em mente que ele é
membro do grupo, em papel diferenciado; trazer para o grupo os
problemas e dificuldades porque ao grupo cabe encontrar a forma
melhor e adequada de lidar com estes percalços.
Enfim,
o método socionômico é a nossa ferramenta para lidar com as
dificuldades operacionais.
Há que se viver o método, tornando-o
parte inerente do exercício de todos, todos mesmos, instantes da
atividade grupal. Ou seja, dificuldades e problemas podem ser
aquecimento.
sexta-feira, 9 de março de 2018
TE e PD
O Teatro Espontâneo (TE) é um instrumento analógico e
estético de impulsionar mudanças tendo aplicações desde a lúdica à
terapêutica. Para psicodramistas que não trabalham ou
não desejam trabalhar especificamente com TE, posso perguntar. O que interessa a um diretor de Psicodrama (PD) ou Sociodrama (SD) fazer TE? O Diretor em Sociatria (é como Moreno denomina os instrumentos de intervenção Socionômicos) é essencialmente o primeiro
protagonista. É ele quem primeiro entra em luta (agon), é ele quem
primeiro pisa em um vazio, é ele quem confia na incerteza. A
Espontaneidade, real e vivenciada, do Diretor é a chave e o
metrônomo do desenvolvimento do grupo. O TE privilegia a estética da cena, o ritmo, o aquecimento grupal. Com isso, participar ou fazer TE dá ao diretor de PD ou SD possibilidades de introduzir noções de
ritmo e estética permitindo que o papel de Diretor seja enriquecido
e ampliado.
segunda-feira, 5 de março de 2018
destino e escolha
Escutando ontem uma antiga música de Raul Seixas, Messias Indeciso. em meio à letra há esses versos: "O destino é a gente que faz na mente de quem for capaz". E pensei sobre. Pensei que o que chamamos de destino é a inexorabilidade de um projeto de vida, sua imutabilidade. É algo como aquela piada antiga de alguém caminhando em uma rua e vê uma casca de banana e diz: ai, jesus, lá vou eu cair outra vez! (enquanto continua caminhando em direção à casca de banana). Moreno disse certa vez que a verdadeira segunda vez liberta a primeira. E o que seria uma verdadeira segunda vez? Seria a dramatização com espontaneidade plena de um plano de vida congelado, de um projeto de vida inexorável, de uma conserva qualquer chamada de destino, sina, sou assim mesmo, minha vida é assim. A possibilidade de que uma dramatização em plena Espontaneidade permita, possibilite, abra a chance de abrir a conservada hipótese de destino para um novo olhar, um novo pensar. Sair do destino e caminhar para a escolha. E não para a contínua casca de banana.
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018
O sapato de cristal
Por que o sapato de cristal da Cinderela não desaparece à meia noite? Tudo o mais volta ao que era. O outro sapato, a carruagem, o vestido, os cavalos. Tudo. Mas o sapatinho de cristal unicamente permanece. Algo do reino da fantasia invade o reino do real. Não somente invade, mas é o que permite o encontro final. Ir ao mundo da fantasia, deixar-se conduzir pela imaginação. E, ao voltar, trazer consigo o fator transformador, o sapatinho de cristal do conto de fadas. Se isto não é uma bela alegoria do potencial transformador do Psicodrama e Teatro Espontâneo...
sábado, 24 de fevereiro de 2018
Corpo e mente
Li em algum lugar da obra de Moreno: "O corpo lembra o que a mente esquece". A memória da ação persiste. A coreografia da dança executada continua impressa no corpo. Quando, por meio do aquecimento bem realizado, conseguimos como Diretores de Psicodrama/Teatro Espontâneo, que a ação seja realmente espontânea isto recupera a memória inscrita no corpo. É como se o aquecimento destravasse o controle racional permitindo que as memórias inscritas, a nossa coreografia existencial, pudesse enfim voltar ao palco.
terça-feira, 20 de fevereiro de 2018
Ação, atividade
Lendo um livro do grande biólogo contemporâneo Richard Lewontin, A Tripla Hélice. Nesse livro há esse trecho: "O ambiente não é apenas uma propriedade da região a que pertence. Ambiente é o espaço definido pelas atividades dos organismos." Essa citação refere-se a ambiente na perspectiva biológica. Porém, podemos usá-la para pensar em termos psicodramáticos, socionômicos. Como o nosso método socionômico é lastreado na ação acho que cabe a extensão da reflexão. Ação, atividade não são mera movimentação física. Andar à esmo, mover-se simplesmente, não é ação. Ação, atividade são movimentos com finalidade. É movimento com intenção. Não é mera cinesia, é praxia. Então, a ação, a atividade pode ir de um movimento de aproximação de caça, de cortejo a um olhar de interesse. Falar, nesse contexto, é uma ação. O silêncio pode ser ação. Daí porque o Psicodrama/Teatro Espontâneo não prescinde da fala. O discurso e o silêncio são ações da linguagem verbal. Como a mímica e a pantomima são ações da linguagem corporal. Então, o nosso ambiente, o nosso palco, é construído pelas nossas ações, pela nossa atividade.
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018
Ver em Psicodrama
É bastante comum de se ouvir: "A escuta terapêutica". Quanto pensamos em Psicodrama, Teatro Espontâneo, Sociodrama, essa expressão precisa ser repensada. O Psicodrama adveio do Teatro. Teatro em Grego significa "lugar de onde se vê". Portanto, Teatro é Cena vista pela Plateia. E o ver em Teatro inclui o escutar e amplia o escutar. Em Teatro, vendo da Plateia, tudo se vê, tudo se percebe. Amplificado pelo Palco. O palco amplifica, aumenta todo significado do gesto, da postura, da voz, da prosódia, das relações corporais. O Palco, em Teatro, é uma lente de aumento. Assim, ver Teatro é muito mais do que olhar uma imagem. É ver. Tanto em Português quanto em Inglês, o verbo Ver/To See tem um sentido de compreender, saber, perceber. Ver Teatro é ver, perceber, compreender. Ver em Psicodrama é ver, perceber, compreender. Talvez possamos introduzir outra diferença entre a escuta comum e o olhar psicodramático. Como em todas as outras formas psicoterápicas o escutar é do Psicoterapeuta. A ele cabe o Escutar. Em Psicodrama, o foco da visão, percepção, compreensão está na Plateia Grupal e no Protagonista, não somente no Diretor. Não há no Psicodrama a intenção de interpretar a Cena. A intenção fundamental da Socionomia (Psicodrama, Teatro Espontâneo, Sociodrama) é permitir ao Protagonista e ao Grupo alcançar a sua própria visão da Cena.
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018
Fantasia e Realidade
Lendo um artigo de Susan Sontag. Nele há uma citação do autor teatral Eugène Ionesco: "O Teatro é um instrumento que, pela distorção da realidade, agudiza o sentido do Real". Que maravilha de sinalização para o Teatro Espontâneo! Agudizar alguma situação é levá-la ao limite, torná-la extrema. E o nosso sentido do Real anda tão amortecido, tão sem graça, tão mais do mesmo, tão anestesiado. A distorção da realidade de que fala Ionesco, essa distorção é a imaginação, a fantasia. Eis uma situação, aparentemente, paradoxal: precisamos da fantasia, da imaginação, dessa distorção da realidade, para que possamos maximizar, intensificar o nosso sentido do Real.
"Sem
a loucura que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?"
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?"
in Mensagem, Fernando Pessoa
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018
sociedade comercial x sociedade afetiva
Sempre é preciso ter-se cuidado como analogias. Mas elas podem nos fazer ver com mais facilidade situações carregadas de peso afetivo. Esse é um exemplo. Sociedade significa vínculos entre sócios. Sócio em Latim é Socius: companheiro, parceiro. E, voltando, Sociedade é uma relação vincular entre sócios, entre parceiros com uma mesma finalidade. Então, a sociedade afetiva, a relação afetiva, é uma parceria entre sócios afetivos, parceiros afetivos. O capital que financia e sustenta essa sociedade afetiva é o capital afetivo. Tal como numa sociedade comercial, não é só porque uma sociedade foi constituída formal ou informalmente que funcionará. Qualquer consultor empresarial dirá que existe um tempo de maturação de qualquer empresa, de alguns anos antes que comece a dar retorno. Nesse tempo entre o início da sociedade empresarial ( e da sociedade afetiva) e sua maturação os sócios têm que continuar investindo, empenhando-se em fazê-la funcionar. As sociedades empresariais por não serem românticas têm essa clareza mais facilmente. As sociedades afetivas ainda muito preenchidas de um romantismo fantasioso, imaginam que apenas porque querem estar juntos isto será o suficiente para fazer essa sociedade funcionar. E mesmo com empenho as sociedades podem não mais serem lucrativas, serem um bom negócio. E ao se romperem essas sociedades costumam dar mais problemas do que para se constituírem. Mesmo porque há mais para se repartir. E esse a mais para repartir, se for lucrativo aguçará a ambição. Se for prejuízo, dano, estimulará a rivalidade também. Penso que para nós que lidamos com gente em relação afetiva é necessário desconstruir uma visão romântica. Essa visão romântica de que dar certo, funcionar bem, é magia, é mágica, é certeza, é obrigação. Sem investir continuamente nenhuma sociedade se sustenta e evolui.
domingo, 4 de fevereiro de 2018
Dar e receber
Numa sessão psicoterápica sobre dar e receber. "Sou muito generoso". "Me sinto mal, dependente, quando minha mulher paga algo para mim". Qual a relação complementar entre o papel daquele que dá e o papel daquele que recebe? É uma complementação assimétrica. ou simétrica? Aí torna-se útil o conceito de TELE em Socionomia (Psicodrama, Sociodrama). Pensemos em cena. Numa relação de complementação simétrica, na imagem correspondente os dois estariam se olhando horizontalmente, no mesmo nível. Solilóquio dos personagens: "obrigado", "valeu", o que recebe. "Acho que fui útil","que bom que pude ajudar!", aquele que deu. Numa relação assimétrica, posta em imagem, aquele que dá olha para baixo e aquele que recebe está ajoelhado olhando para cima. Solilóquio dos personagens nesta cena: "arrogante", "está me humilhando", diz o que recebe. "Por que não se sustenta só? "Fraco e dependente!" diz aquele que dá. Explorar esses meandros das relações interpessoais mediados pelos atos de dar e receber no Psicodrama torna-se mais visível pela força da imagem representada.
segunda-feira, 29 de janeiro de 2018
Equiíbrio estático e equilíbrio dinâmico
Em múltiplas conversas fico com a impressão de que existe uma certa dicotomia existencial entre pessoas que privilegiam, desejam, buscam, a segurança e estabilidade de um lado. E de outro lado, pessoas que privilegiam, desejam, buscam, a liberdade de ação. Dito de forma complementar: Há pessoas que temem terrivelmente a instabilidade de seu futuro. E há outras pessoas que temem terrivelmente a sensação de estagnação, de paradeiro, de horizonte sempre igual. Identificar, ao longo da vida, seu temor e seu desejo, torná-los claramente definidos, assumi-los como seus, ajuda a não dar murros em ponta de faca, ao se medir por parâmetros alheios. Tentar ser empreendedor tendo um perfil de estabilidade leva a angústia e dor de estômago, Tentar concurso público com perfil de liberdade é criar uma angústia insolúvel de aprisionamento. É a mesma diferença que existe em Física entre equilíbrio estático e equilíbrio dinâmico.
terça-feira, 23 de janeiro de 2018
Autonomia, independência
Há muito tempo escutei duas palavras que até então julgava ou sinônimas ou quase sinônimas. Autonomia e independência. Indo à etimologia das palavras. Autós, em grego, significa próprio; nomos, em grego, significa lei, norma. Assim, autônomo é aquele que faz as suas próprias escolhas, segue sua norma pessoal. Independente é aquele que não depende. Deixando o pensamento livre para brincar com os conceitos e palavras faço uma distinção. E esta distinção é muito importante em Psicodrama. Independência ou dependência tem a ver com os aspectos objetivos, segurança material, sustentação financeira. Nesse ponto de vista, depender ou independer se refere à capacidade de viver ou sobreviver por conta própria. Enquanto autonomia refere-se à capacidade de fazer escolhas, reconhecer as próprias normas, a sua própria lei. Em um ambiente psicodramático, seja ele clínico ou teatro espontâneo,é possível colocar no mesmo palco essas duas cenas. A capacidade objetiva e suas limitações para viver e sobreviver, de um lado. A viagem pessoal de descobrir suas escolhas, suas leis, do outro lado. O encontro das limitações à autonomia interna de escolha (perda da espontaneidade) com o reconhecimento das limitações à sobrevivência objetiva faz com que trabalhar-se a cena como um todo conduz, possa iluminar e propor experiências de adequação ou confronto produtivo.
sábado, 20 de janeiro de 2018
Realidade Virtual Psicodramática
Estava assistindo a um programa sobre realidade virtual. E o que é realidade virtual? Ao pé da letra é vivenciar como se fosse real uma experiência qualquer. E isto feito por uma tecnologia digitalizada específica. Pensando, pensando sobre isso. E não precisa pensar tanto. Psicodrama é Realidade Virtual. Toda o instrumental existente no Psicodrama é baseado não em tecnologia digital, mas sim em tecnologia analógica. E a nossa tecnologia analógica é a imaginação. A imaginação é o nosso instrumento do como se. O aquecimento, warming-up, em Psicodrama é a forma de ligar esse instrumento. A imaginação necessita de um tempo de aquecimento para atingir sua plenitude tecnológica. Sem esse aquecimento inicial e mantido o instrumento permanece desligado. E a Realidade Virtual Psicodramática não acontece e não acontecerá.
quarta-feira, 17 de janeiro de 2018
Ambiente e cena
"Ambiente não é apenas a região geográfica a que pertence um organismo. É o espaço criado pelo organismo em suas atividades." Esse trecho é de um eminente biólogo, Richard Lewontin. "A espontaneidade entra no nascimento e criação de uma criança, na criação de obras de arte e tecnologia, na criação de novos ambientes sociais." Esse trecho é de Moreno, criador do Psicodrama. Esse atributo da Espontaneidade assinalado por Moreno, ressalta a própria ideia do Psicodrama, da Socionomia, serem instrumentos de intervenção não apenas no intrapsíquico do indivíduo, mas na mudança e criação de formas de relação interpessoais, ambientes sociais novos e adequados. Voltando àquele biólogo citado acima, Richard Lewontin,também diz: "Se queremos conhecer o ambiente devemos consultar ao próprio." Moreno concordaria totalmente com esta visão. Se ambiente é resultado de interação, só podemos nos aproximarmos do conhecimento das relações humanas consultando a própria relação. Daí o olhar fenomenológico psicodramático não ser preconcebido, ele consulta a cena. A cena é a reconstrução do ambiente relacional onde e quando o protagonista e o grupo podem consultar, assinalar e intervir sem hipóteses subjacentes.
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Experimentar e refletir. Este blog é um espaço para mostrar ideias sobre o psicodrama, sobre o teatro espontâneo. Há mais de trinta anos...
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Em Socionomia (Psicodrama, Sociodrama, Axiodrama) há um conceito central que não é fácil para ser compreendido e utilizado. Tele. Essa pala...
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AS PALAVRAS DO PAI – XX (Jacob Levy Moreno) Esta é a minha oração: Que todos os seres sejam benditos Com um lugar no Universo, ...