Perdi um grande mestre, um grande companheiro, um grande ser humano. Perguntaram-me como estava. E respondi que sabia da situação progressivamente ruim de saúde dele, mas quando aconteceu fiquei triste. "Mas vc sabia que ia acontecer". Sim, sabia. mas o fato, a transição, a morte aconteceu recentemente. Há oito anos tb vivi algo parecido. E isso me remete a que as experiências só são efetivamente lidadas quando acontecem. "As coisas nunca são como imaginamos, ou são melhores ou são piores". Li isso há tempos. O Psicodrama possibilita que o fato imaginado, temido, sonhado, seja, efetivamente, vivido como se fosse realidade real. Não imaginamos o futuro, nem lembramos o passado. O palco psicodramático é um grande máquina do tempo que traz, o passado vivido ou imaginado e o futuro imaginado ou sonhado ou desejado, para o presente da cena. E, no como se psicodramático, vive-se o como é da realidade real. Não, as coisas nunca são como imaginadas. Não apenas são melhores ou piores. Elas podem ser diferentes. A dramatização psicodramática abre a chance de uma outra visão, de uma outra experiência.
terça-feira, 1 de agosto de 2023
sábado, 22 de julho de 2023
De como o Psicodrama cria
É. Eu aprendo e me surpreendo com o Psicodrama. Realizando hoje uma atividade aberta, havia apenas cinco pessoas. A história dramatizada, a partir do aquecimento, nasceu de uma série de palavras e de um gesto. Cm esses tijolos uma pessoa construiu uma sinopse de história. Convidadas para serem egos auxiliares, os participantes só tinham , para se guiar, sua espontaneidade criativa e o clima sugerido. E foi mágico, surpreendente, potente, recriador. Como todos somos seres humanos, sempre, caso deixemos nosso lado espontâneo criativo aparecer, somos capazes de fazer algo da dor, da alegria, da dúvida, da certeza, do outro. E isto aconteceu. E a história dramatizada atingiu a todos. Do Caos houve o Cosmos. Do amorfo surgiu a forma, do nada surgiu o tudo. E Moreno disse: "Sê espontâneo!". E a luz se fez.
terça-feira, 18 de julho de 2023
Certezas e acasos
Quando sentimos que o tempo passou ou está passando? Quando algum evento nos lembra que todo “até logo” pode ser um “adeus”. Pode ser uma perda de vínculo afetivo, morte de ídolo, diagnóstico médico. A consciência de que há um limite. Só que não sabemos se é no próximo minuto ou daqui a cem anos. Para lidar com isso, penso que há alguns truques. Crer-se imortal é um deles. Outro, quase sempre presente em manuais de autoajuda: ”Só vivemos no presente”. Chamo de truques porque, no fundo, não torna mais aceitável a imponderabilidade da vida. Não é mais fácil suportar-se que, façamos o que façamos, o destino é uma loteria. O Acaso representa muito na vida. Por acaso há diversidade genética, por acaso há seleção natural, por acaso há evolução biológica, por acaso vivemos, por acaso morremos. Existir pode ser fácil. Viver, tomar consciência, conviver com o eterno acaso. Einstein não podendo suportar a incerteza da Mecânica Quântica cunhou a frase: “Deus não joga dados”. Talvez Deus seja os dados.
quinta-feira, 13 de julho de 2023
Por que?
Por que escrever tanto sobre Psicodrama? Porque, em relação à outras abordagens e métodos psicoterápicos ele é menos conhecido. E reconhecido. Muitas vezes o método psicodramático é minimizado como teatrinho, representação, mera vivência experiencial. O que o Psicodrama (Nome metonímico de todas as ferramentas socionômicas criadas por J.L.Moreno) trouxe de novo e revolucionário foi trazer ao centro de atenção a tridimensionalidade de todas as ações humanas. A história narrada é linear, é submetida ao leito de Procusto da narrativa. O que vem antes torna-se causa do que vem depois. Coisas simultâneas tem que ser narradas de forma sequencial. O corpo, na narrativa é imaginado, a forma verbal ganha precedência. Na metodologia Moreniana VEMOS a cena, podemos participar delas, el a é concreta e não imaginada, a linguagem analógica gestual pode ser percebida. Ao verbo se acrescenta o corpo e a ação. O palco, onde a cena se desenrola torna-se, por força do aquecimento e do "Como Se", a própria realidade do acontecido, do imaginado, do sonhado. O "Como Se" torna-se "É". Isso é um pouco do mundo psicodramático.
domingo, 9 de julho de 2023
Ok, mas...
Psicodrama é F***! Nessa manhã tivemos uma linda experiência psicodramática. Inicia-se com três pessoas. E, como em todo aquecimento, vamos tateando a melhor forma de fazê-lo. Chega uma quarta pessoa, trazendo uma quinta pessoa. E essa quinta pessoa tem 10 meses de idade. Depois uma sexta pessoa. Sugiro, lembrando-me de uma outra experiência profunda em que tb isso aconteceu, que todos os participantes brincassem de "cacique". Todos os menores gestos feitos pelo mini participante eram por nós imitados. Ele rapidamente percebeu o que acontecia, abriu um sorriso brincalhão e passou a experimentar gestos novos. Isso levou o grupo a um estado de "emoção divertida". Recuperando as consonâncias de cada um dos membros do grupo, chegamos a criar uma história. História, vimos depois, comum e corriqueira, da maternidade, das relações intrafamiliar e interpessoal, das redes ou da falta de redes, da rigidez do certo e saudável ao possível para mim. O papel de Mãe e o papel de Filho (Esse atuado pelo minipartcipante de 10 meses). Com a espontaneidade da criança age, ele participou e entrou na "brincadeira". Escolhendo, negando, chorando.. Ao fim, a expressão de desespero da protagonista: "toda saída que escolho aparece um empecilho". Compartilhando, o Co-Inconsciente grupal Moreniano falou alto. Um participante recém chegado à paternidade, outro que teve a vida vivida em boa parte, por conta própria, dependendo só de si. Uma mãe com história similar à história criada, duas psicólogas infantis. Tudo começou com um "..., mas... E termina com um compartilhamento: A histórias foi de vários ...,Mas..." pesados e em desespero,, e descobrimos que pode haver "...,Mas..." alegres , construtivos e motivadores. Frases soltas: "Tudo passa", "Tudo passa pode nos obrigar a aguentar demais". A vida como ela é. Psicodrama é vida, Teatro Espontâneo é vida.
terça-feira, 27 de junho de 2023
autômatos e espontâneos
Lendo o livro de Moreno "Quem sobreviverá?" tive diante de mim um clarão de centelha. Autômato e Sue Sponte significam, em grego e latim, a mesma coisa: "De vontade própria". Autós e Sue, próprios. Matos e Sponte, vontade. Mas o nosso Moreno assinalava já há mais de 50 anos os riscos do autômato e o seu antídoto, a espontaneidade criadora (sue sponte). Autômato, automático, espontâneo, espontaneidade. Onde diferiram essas duas palavras? O que significa hoje autômato, automático e o que significa hoje espontâneo? São quase antônimos. O autômato passou a ser um ser um instrumento dirigido a uma finalidade. Espontâneo passou a ser, no Psicodrama, a liberdade de escolha criativa. A resposta automática é única para toda questão. A resposta espontânea é adequada e proporcional. Ao fim, diz Moreno para sobreviver ao nosso empobrecimento criativo diante dos instrumentos automáticos temos que estimular a espontaneidade criadora e criativa. E isso para que não submerjamos à preguiça criativa gerada pelas facilidades dos instrumentos, cada vez mais sofisticados na capacidade de gerar e conservar conteúdos, com rapidez e precisão. São práticos, são úteis, são precisos, são rápidos. Mas, e os seres humanos serão ainda necessários? Ou seremos aprendizes de feiticeiros?
quarta-feira, 21 de junho de 2023
Companheirismo/companhia
Outro dia conversando com uma paciente apareceu uma dicotomia inesperada. O seu parceiro era uma excelente companhia, mas não era companheiro. Após o termino da sessão fiquei refletindo. Ser companheiro/a, ser companhia. Ambas têm sua etimologia na palavra pão, panis: o que compartilha o pão. Então o que difere? o que faz a diferença? Vamos pensar. O que seria uma companhia? Alguém que compartilha socialmente, alguém que tem uma boa conversa, alguém que topa tudo para se divertir, alguém que convive fácil em todos os círculos de amizade. E o que seria ser companheiro/a? É estar ao lado, alternando e invertendo papeis, é poder sentir o outro com a mesma sinalização afetiva, é, enfim, poder desenvolver uma relação télica. Então, a companhia é reconhecida no universo social O companheirismo é reconhecido numa relação de proximidade afetiva.
terça-feira, 13 de junho de 2023
Antonio, Fernando, Moreno
Hoje é 13 de Junho. Santo Antonio. De Lisboa e de Pádua. Meu onomástico. St. Antonio nasceu como Fernando. Ao ingressar na Ordem Franciscana tomou o nome de Antonio. É considerado pelos católicos como protetor de causas difíceis, buscador de parceria amorosa. E hoje é aniversário de nascimento de Fernando Pessoa, em 1888. Batizado como Fernando Antonio Nogueira Pessoa. Há um verso dele: "Todo começo é involuntário". Interpretar poesia é uma armadilha e uma traição ao poeta. Poesia sente-se. Com a cabeça e o coração. Então, para mim, esse verso remete à experiência psicodramática. Para mim, sugere que há de se aproveitar s coisas como as coisas se apresentam. Não se pode produzir o grupo ideal, o mundo ideal. Os começos são involuntários, são espontâneos, mas sua continuação necessita de criatividade. Conduzir uma atividade psicodramática qualquer com planos elaborados, roteiros a serem seguidos, sequencias de aquecimento pré-determinadas, ou seja, planejar uma atividade de Psicodrama, retira dela a experiência fundamental: Deixar-se conduzir pelo grupo. Moreno dizia: "Throw away the script". "Jogue fora o roteiro". Isso é aceitar o "involuntário" de Pessoa. Entretanto, isso tendo sido aceito (e aceitar isto é a espontaneidade moreniana), sua continuidade necessita da criatividade para melhor levá-la a cabo. Antonio, Fernando, Moreno. Buscador de parceria, inícios involuntários, espontaneidade, vínculos.
sábado, 27 de maio de 2023
Borges e Moreno
Talvez, junto a Fernando Pessoa e Herman Hesse, Jorge Luis Borges, seja um dos alicerces de meu sentir e pensar. Em um de seus grandes contos ele escreve: "O futuro não tem realidade a não ser como esperança presente, que o passado não tem realidade a não ser como lembrança presente." (Tlön, Uqbar e Orbis Tertius). Como sempre, o artista, o poeta chega primeiro e diz melhor todas as nossas verdades científicas. Esse período de Borges define toda a essência do pensar psicodramático. Zerka Moreno, companheira de Moreno e a grande sistematizadora da teoria psicodramática, em suas dramatizações sempre e sempre insistia pela contínua atenção à presentificação do protagonista e egos auxiliares. Usar o tempo presente, sempre. Nossas histórias de aventuras, infantis ou não, sempre começam por "Era uma vez" ou "Há muito tempo numa galáxia distante" ou "Cinderela era uma órfã" ou "Quando era pequeno" ou "quando eu crescer" ou "Quando for independente" ou "Quando eu for feliz". As nossas histórias são narradas no tempo passado ou num tempo futuro. No Psicodrama, seguindo Borges e Moreno, tudo no palco se passa no presente. As histórias não são contadas, nem no pretérito nem no futuro. Não são narradas, são dramatizadas, são vivenciadas, são atuadas "no como se". Mesmo o sonho não é contado. É dramatizado no presente desde o seu início. Todo o sonhado torna-se o vivido. São aquilo que Moreno chamava de verdade poética. O palco psicodramático é como se fosse uma máquina do tempo às inversas: não vai ao passado ou ao futuro, torna o futuro e o passado presentes. Essa é a razão principal do aquecimento, etapa inicial de toda atividade socionômica: trazer os membros do grupo para o presente e ajudar ao protagonista a se fundar no presente.
quinta-feira, 18 de maio de 2023
Moreno entra em cena
Fernando Pessoa escreveu: "Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia, não há nada mais simples. Tem só duas datas — a da minha nascença e a da minha morte. Entre uma e outra coisa todos os dias são meus". Num ano civil comum, a data de morte de Moreno - 14 de maio - vem primeiro do que seu nascimento -18 de maio de 1889. Quando nasceu, como todos, era só um desejo e uma promessa. Fernando pessoa diz "todo começo é involuntário". Em seu início ele era um improvável filho de comerciante sefardita. Ao fim da vida, Moreno. Como todos os seres humanos somos construções de acasos, oportunidades e talentos. Moreno tornou-se isso: acasos e genialidade. E todos os dias foram dele.
domingo, 14 de maio de 2023
Moreno sai de cena
quarta-feira, 10 de maio de 2023
E por que não?
Em 1968 Caetano Veloso lançou Alegria, Alegria. Seus últimos versos dizem: "Por que não, por que não?". A resposta "porque sim", vem muitas e muitas vezes de quem detém alguma forma de autoridade, parental, educacional, laboral. A pergunta de Caetano é um dos núcleos da atividade psicoterápica psicodramática. O "porque sim" corresponde ao que nós chamamos de cristalizações, visões conservadas, imutáveis, congeladas, inquestionáveis, da realidade. A busca do psicodrama pela Criatividade e Espontaneidade é o contínuo exercício do "por que não?". Por que não experimentar algo novo, uma atitude cênica que substitua a atitude existencial, já cristalizada, no palco. Experimentar sair do inquestionável e questionar. Experimentar sair do imutável e mudar, experimentar sair da conserva cultural e vitalizar a existência. O Psicodrama experimenta, questiona, in-comoda, tira do já acomodado (que nunca é cômodo), reconta histórias já tornadas históricas, experimenta o riso em lugar do choro, o choro em lugar do cínico agir. O Psicodrama não parte de ideias pré-concebidas, mas ele as questiona, ele as expõe a um outro olhar. Os problemas existenciais muitas vezes são histórias contadas e recontadas e sempre de um mesmo jeito. Se, quem conta um conto acrescenta um ponto, ao não modificarmos jamais nossa própria narrativa vital, somos expostos e vivenciamos um looping contínuo. É o tema do filme "Feitiço do tempo". Todo e cada dia é o mesmo dia. Como dizia Mário Quintana, "Quem faz um poema salva um afogado". Psicodrama pode fazer poesia.
quinta-feira, 27 de abril de 2023
Experimentar e refletir
Em todas as atividades de Psicodrama, Sociodrama, Teatro Espontâneo que realizo inicio sempre dizendo só haver duas regras: ninguém é obrigado a fazer coisa alguma, mas, antes de desistir experimente. Experimentar é, verdadeiramente, dedicar-se a vivenciar aquele instante. Não apenas tentar. Tentar, o verbo tentar, já traz embutida a concepção de se estar de "pé atrás". Tentar algo não é, decididamente, experimentar algo. Após a verdadeira experiência vem o momento de reflexão, de ponderação, de medição de ganhos e perdas. Depois desse instante reflexivo surge a possibilidade da decisão: continuar ou para e fazer algo diferente. Nos atos psicodramáticos, sociodramáticos ou de teatro espontâneo, o aquecimento realizado adequadamente propicia a experiência real e profunda da dramatização. E em cada momento, o Diretor/condutor pode interromper e sinalizar ao protagonista ou ao grupo que reflita e decida se seguiremos pelo mesmo caminho ou experimentamos outro. Mas, não apenas no palco psicodramático o experimentar e refletir são as ferramentas existenciais fundamentais. Da vida experimentada na dramatização do palco psicodramático à vida vivida nos palcos da vida. Experimentar, tão só, sem refletir, é bater cabeça, ficar sujeito aos ventos e tempestades das escolhas. Refletir sem experimentar é estagnar-se no marasmo do pensamento e raciocínio. Experimentar e refletir.
sexta-feira, 14 de abril de 2023
Papéis, papéis
"Quando tomamos consciência de nosso papel, mesmo o mais obscuro, só então somos felizes. Só então podemos viver em paz e morrer em paz, pois o que dá um sentido à vida dá um sentido à morte."
Terra dos homens/Antoine de Saint-Exupéry
Penso que Exupéry falava de papel no sentido de propósito. Mas, no Psicodrama, papel tem outra conotação, próxima e distante do uso que se faz em teatro e cinema. Nestes, papel é quase equivalente a personagem. Embora possamos dizer que uma personagem pode desempenhar vários papéis na peça ou filme. Já no Psicodrama há algo disso, não sendo isso. Papel é um conceito psicodramático do somatório de falas e comportamentos que nos surgem numa relação e em complementaridade do contra papel. Os dois papéis se complementam sendo extremidades de um mesmo vínculo. Serem complementares significa que um é criado em função do outro. Por analogia, uma tampa está para a caneta assim como o filho está para uma mãe. Um só tem funcionalidade em razão da existência do outro. Na relação real, imaginária ou psicodramática. Portanto, a essência da ideia de papel é sua diversidade e flexibilidade. Mais vínculos, mais papéis. poder transitar entre papéis tem seu oposto na cristalização dos papéis. Em que o individuo congela um ou poucos papéis, transformando seus complementares reais em complementares imaginários. Quem cristaliza, p.ex. o papel de filho transforma todas suas relações em relação parental/filho, simplificando. Flexibilidade (para transitar entre os papéis) e multiplicidade vincular (para ter um conjunto universo de papéis, maior).
domingo, 9 de abril de 2023
A passagem
Hoje acordei com saudade de um primo bem mais velho que morreu no Chile em !971. Foi um dos poetas chamados de Geração Mapa no final da década de 50 na Bahia. E uma poesia dele, entre várias que, na distancia de 14 anos de diferença de idade, sempre me marcaram, há uma, em particular:
Pedra e musgo. Silenciosa paz, sombria quietude.
árvores mortas, troncos sazonados, berço e ataúde do mistério vital.
árvores vivas, salmos coloridos, anseios góticos arborizados no interior de estranha catedral.
A par das poderosas imagens criadas pela sua poética, do ritmo quase gregoriano medieval, há essa construção: pedra e musgo.
No Psicodrama há uma palavra, Conserva, que tem um conceito original, embora a palavra seja comum. Na acepção habitual conserva é algo feito para durar, para não ser decomposta pelo tempo. Assim é com as conservas alimentícias. Para o criador do Psicodrama, Moreno, Conserva Cultural é uma produção qualquer da cultura humana que se imobiliza ou é imobilizada. Um livro, por exemplo, enquanto está sendo gestado é algo vivo em constante mutação (Não é, Dani?). Após concluído ele não mais pertence ao autor e sim a quem o lerá. E é nesse ato de ler, por exemplo, que o conceito de conserva cultural pode ser melhor explicado. Pode-se repetir infinitas vezes um poema de Pessoa ou Borges, sempre como um poema de Borges ou Pessoa. Enquanto assim for, será uma conserva cultural. Mas, ao lermos um livro qualquer e ele ser transformado pela minha vivência, deixando de ser apenas um ícone conservado, voltará à vida. Moreno insistia que a vida precisa ser vivida dando vida às conservas culturais. Olhar a Mona Lisa como "A Mona Lisa", à distancia, sem nos apropriamos dela, sem dela fazer parte nossa, é uma conserva cultural. Quem faz essa transformação, quem vivifica essas conservas é a nossa espontaneidade/criatividade. Ela é a força vital que faz que sobre a pedra, morta e conservada, nasça o musgo vivo em transformação.
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E assim é.
Experimentar e refletir. Este blog é um espaço para mostrar ideias sobre o psicodrama, sobre o teatro espontâneo. Há mais de trinta anos...
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