Conversando com alguns, bem mais jovens, médicos, escutei, surpreso de forma agradável, algumas observações: "Eu converso com meu paciente e isso a consulta ficar melhor"; "acho que é mais importante dizer que ele não tem gravidade do que dizer que ele não tem nada"; "Acho que a gente não entende de saúde, a gente aprende doença". O que um médico psiquiatra psicodramatista contribui nessa conversa? Eu disse: "acho que vcs estão falando de CLÌNICA". A palavra clínica vem do Grego Klinikós que significa Leito. Ou seja o Clínico está junto com o paciente, na intimidade do leito (real ou figurado) do paciente. O grande clínico e pensador da Medicina, William Osler disse: "O bom médico trata as doenças, mas o grande médico trata o paciente”. Tratar o paciente é estabelecer um vínculo entre o profissional e o paciente, não entre, apenas, o profissional e a doença. E é aí que o nosso Moreno, criador do Psicodrama, aparece com sua insistência em ser o ser humano um ser relacional. O médico medieval Avicena disse: "A imaginação é a metade da doença; a tranquilidade é a metade do remédio; e a paciência é o começo da cura". Reconhecer o ser humano que TEM a doença, mas não É a doença, é a essência do exercício dessa atividade profissional tão humana e tão antiga. Bem a atitude psicodramática. Mesmo não sendo Psicodrama, é Psicodrama.
domingo, 29 de outubro de 2023
terça-feira, 17 de outubro de 2023
Ah, a criação espontânea!
Numa manhã de domingo ensolarado, estávamos, eu e o pessoal da Matriz Criativa (CE), conversando e trabalhando sobre Teatro Espontâneo. Já é o nosso segundo encontro online. nesse dia nos dedicamos a perceber e criar o senso de história: início, desenrolar, desfecho. Ritmo, estética. Em uma das vezes após experimentarmos várias vezes, uma participante inicia com um grito "Fora!", a participante seguinte emenda com "Dentro!", a próxima disse, em tom de voz algo conciliador: "Dentro, Fora". E o último encerra com tom enfático e definitivo: "dentro, fora, o que importa?". Interrompo e faço uma observação: "Vcs perceberam que dramatizaram a Fita de Moebius (Uma fita torcida uma vez, em que o lado externo se torna lado interno ao ser continuado? ? "Imaginem se, em vez de criarem espontaneamente, eu lhes houvesse pedido para "Dramatizem a fita de Moebius!"? Belo exemplo de criação coletiva que faz brotar do caos amorfo inicial um cosmo de criação que pode ser lida e sentida de múltiplas formas. Um sketch espontâneo com resultado filosófico.
quarta-feira, 11 de outubro de 2023
O artista e o diretor
Assistia a uma entrevista do grande pianista, já falecido, Arthur Rubinstein, em que lhe é perguntado o que ele achava de ser considerado o melhor pianista do mundo. Diz ele: "Fico muito aborrecido. Em Arte não há como se dizer o maior ou melhor. Cada artista pode ser diferente". De fato, afora os esportes e outras situações em que claramente um ganha e outro perde, só se pode ser diferente. Assim é na direção de um ato psicodramático. Como uma obra artística, o dirigir não pode ser julgado em termos de melhor ou pior. Mas, sim, de que forma aquele que dirigiu usou as ferramentas à sua disposição e o olhar psicodramático para atingir o objetivo. Em Psicodrama, em toda direção de ações socionômicas há estilo, há ritmo, há estética. Isso é que faz a diferença entre os vários Diretores. A atenção para o ritmo, aquecimento, estética da cena pode fazer daquele ato de uma intervenção terapêutica a uma obra de arte cênica.
segunda-feira, 2 de outubro de 2023
A ponte e o vínculo
Congresso de Psicodrama. Florianópolis. Ponte Hercílio Luz. Ponte. Pontes. Ligação de ilha ao continente. Vínculo. Ligação entre papéis. Tema do Congresso. Atividade pública no parque. "Quando o muro separa, uma ponte une". Dia chuvoso. Toldo grande, cadeiras. Espaço. Primeira ponte se fez entre eu e a Música. Segunda ponte entre eu e o músico (Blévio e Regina). Pessoas chegando. Sentando. Esperando. A Música inicia-se e vai-se construindo com a sensibilidade de Diretor de Psicodrama do nosso casal. As pessoas são convidadas a sentir as músicas, sentir o corpo e deixar o corpo dançar. Camila. O aquecimento vai-se fazendo sem palavras. Só música, letras, voz e violão. Mercedes Sosa, Caetano, Ceumar, Lenine. Todos, enfim, no presente e aqui. Dispostos e disponíveis. Duas histórias. De pontes rompidas e muros construídos e impenetráveis. Pessoas passeando no parque. parando para escutar as músicas e ficando pelo que estava rolando. Uma nova história, de uma dessas pessoas. Um novo olhar. Uma nova ponte. O final intenso. O compartilhamento inicia-se por outro passante que tornou-se ficante. Diz ele;" Foi comovente e verdadeiro". Bela definição de um ato psicodramático. Atingiu e comoveu. Mas foi visto não como representação tão somente, mas como uma dramatização vivida no como se. Toda a potência de um palco e de um método. Obrigado Blévio, Regina, Camila, Ademar, Mari e Mari. Obrigado a Moysés. As pontes podem, sim, ser construídas.
segunda-feira, 25 de setembro de 2023
Novamente Alice
Lendo Alice através do Espelho, de Lewis Carrol, vi esta passagem: “O que você acharia de morar na Casa do Espelho, Kitty? Será que lhe dariam leite lá? Talvez o leite do Espelho não seja gostoso… mas, oh, Kitty! agora chegamos ao corredor. Só se consegue dar uma espiadinha no corredor da Casa do Espelho deixando a porta da nossa sala de estar escancarada: é muito parecido com o nosso corredor, até onde se pode ver, só que adiante pode ser completamente diferente. Oh, Kitty, como seria bom se pudéssemos atravessar para a Casa do Espelho! Tenho certeza de que nela, oh! há tantas coisas bonitas! Vamos fazer de conta que é possível atravessar para lá de alguma maneira, Kitty. Vamos fazer de conta que o espelho ficou todo macio, como gaze, para podermos atravessá-lo." Não há como não lembrar de uma das três técnicas fundamentais do Psicodrama: o Espelho. Sinteticamente, o protagonista passa a ser plateia e um ego auxiliar reproduz sua cena que ele a verá de fora. Aqui Alice tem a curiosidade de ver além do corredor que não está visível de onde ela está. Ela atravessa o espelho e diz:" É muito parecido com o nosso corredor, até onde se pode ver, só que adiante pode ser completamente diferente. " Ela abre a possibilidade de ver além do que já foi visto. É tudo que esperamos do Psicodrama. Dar e dar-se uma nova chance de ver além do corredor.
sábado, 16 de setembro de 2023
Dostoievski e Moreno
Relendo Crime e Castigo de Dostoievski me deparei com essa passagem: ""Porque exiges de mim um heroísmo que talvez não tenhas? Isso é tirania, é uma violência!". Vem-me à cabeça muitas coisas. Uma, é sempre mais fácil dizer ao outro o que deve ser feito. Outra, de fora não se tem a dimensão subjetiva de nossas ações. Moreno dizia que nossa cabeça não é transparente para os outros. Esse trecho do grande russo mostra também o caráter tirânico do conselho compulsório. E aí, não há como não lembrar do nosso Psicodrama. O dr. J.L. Moreno (como ele gostava de ser chamado) colocou a Inversão de Papéis, uma das três técnicas fundamentais, como aquele que está no seu poema considerado Divisa do Psicodrama: "Então ver-te-ei com os teus olho e tu ver-me-ás com os meus". Isso é inversão de papéis. Incluir o ponto de vista do outro aliando-se ao meu ponto de vista. Aí saímos do do impasse dostoievskiano. Nós poderemos sugerir admitindo o sentimento e visão de mundo do outro. Deixando a ordem (assim é sentido) tirânica e ditatorial e passando a uma ajuda ou sugestão mais sintônica e harmônica com a posição existencial daquele que está em sofrimento. Psicodrama ontem, hoje e sempre.
sábado, 9 de setembro de 2023
Sonhos impossíveis
Realizando um Psicodrama Público (Diadema), o tema era a canção do musical "Homem de La Mancha", "Sonhar, sonhar mais um sonho impossível". Muitas pessoas, muitos psicodramatistas, estudantes de quarto semestre de Psicologia (Disciplina Psicodrama). Cada pessoa escolheu um verso para si. Solicitamos que nos trouxessem uma imagem ou cena para a qual aquele verso pudesse ser a legenda. Três apareceram. "É minha lei, é minha questão", "Se esse chão que beijei for meu leito e perdão" e "Sonhar mais um sonho impossível". As três cenas foram dramatizadas. É sempre bom escutar a experiência de quem participa pela primeira vez. "Não esperava, me surpreendeu", "Não gosto de me expor, mas aqui me senti acolhida. Sinto estar em algo maior do que eu, mas eu faço parte disso", "Gostaria de ter tido mais coragem, veio uma cena, mas tive vergonha. Da próxima vez não perderei a oportunidade". Uma psicodramatista, repetindo o caso Dora, diz "sempre faço papéis de boazinha, hoje fiz de uma vilã, foi diferente". Quarenta anos depois uma cena encontra uma nova perspectiva. "Minha autoestima sem crítica destrutiva, aumentou". Duplos, solilóquios, interposição de resistência, inversão de papéis. entrevista no papel, catarse de integração. Múltiplas técnicas. Mas o Psicodrama está além e acima do exercício de técnicas. Confiança no grupo, confiança no Método, deixar o protagonista ser guia de sua história, não pretender ou supor que há necessidade de dar soluções ao fim e ao cabo. Aceitar o timing da cena e da vida.
Mais um sonho impossível
O inimigo invencível
A tortura implacável
A incabível prisão
Num limite improvável
O inacessível chão
Se é terrível demais
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
segunda-feira, 4 de setembro de 2023
Ah, a música!
Realizamos uma atividade aberta para o Congresso Iberoamericano de Psicodrama. O tema era "A Ponte e a Ilha". A trilha sonora era sobre isso, mas a música que se revelou o tema protagônico foi de Lenine e Lula Queiroga, A Ponte. Nela há há três versos, entre tantos, que nos chama a atenção psicodramática. Uma é "Como se faz para lavar a roupa? Vai na fonte". Outra "A ilha é uma maravilha, mas como se faz para sair da ilha? Pela ponte". E o terceiro, "A ponte não é para ir nem para voltar, é somente para atravessar". Esses três versos são o resumo do Psicodrama. O primeiro, referindo-se ao óbvio ( e necessário) lembrete, para se lavar uma roupa, vai-se na fonte. Buscar a fonte de cada cena desdobrada, ou em psicodramtiquês, o Status Nascendi (O ovo, a cena em seu estado de nascimento) de cada cena: É na fonte que lavamos a roupa. O segundo verso, sobre a ilha ser uma maravilha, mas é uma ilha. Isolada, sem contato com o continente. Físico, na geografia. Relacional, em nosso caso humano e psicodramático. As relações em corredor, simbióticas, podem ser uma maravilha, mas são estéreis relacionalmente, isoladas. Lagoa Azul. E como se faz para sair de uma ilha que é uma maravilha? Pela ponte. Pela construção de vínculos outros. Em outros e múltiplos papéis. Cada ponte construída é um vínculo novo criado. O terceiro verso define o exercício do Psicodrama: Não é para ir nem voltar. É para atravessar. Sair da ilha relacional ou conceitual, estabelecer pontes-vínculo novos. Sai da imobilidade da conserva, ainda que maravilhosa. Atravessar é um verbo de movimento, É dado aos Papas o título de Pontifex, construtor de pontes. Para seu papel de líder religioso é inteligível. O Psicodramatista é um Pontifex.
quarta-feira, 30 de agosto de 2023
Fatos, imaginação e música
Quando me dei conta, já se passaram 16 dias desde a última postagem aqui no Blog. E aí me veio a necessidade de escrever algo. O que estou fazendo agora é abrir o blog, iniciar a escrever falando do que me acontece agora. e nesse momento me surge a ideia de relacionar com o compromisso de uma direção psicodramática. E se, convidado para dirigir uma atividade eu houvesse me esquecido e, pegado de surpresa com o lembrete do celular, chego rapidamente ao local onde haverá a atividade. Não tinha me preparado e devo dirigir. Continuando o "Como se", chego à sala, me apresento ou sou apresentado, e conto o que me aconteceu. Que, esbaforido, cheguei, por haver me esquecido do horário. Falo da surpresa, do receio de faltar ao compromisso, da vontade de realizar o compromisso, e da tela em branco que estava em minha cabeça naquela hora. peço ao grupo para compartilhar se vivenciaram algo assim. Aparecem alguns relatos e...iniciou-se o Psicodrama. O aquecimento, primeira fase de qualquer atividade socionômica (Psicodrama, Sociodrama, Teatro Espontâneo, Axiodrama), é para o grupo e para o Diretor. Na maioria das vezes, o aquecimento do Diretor é anterior ao início da ação psicodramática. Chega mais cedo, reconhece o espaço, apropria-se do espaço cênico, se prepara fisicamente, relaxa o corpo. Mas, e se acontece algo como na cena proposta? o aquecimento dar-se-á em ação. Troca-se o pneu com o carro em movimento. Tudo pode ser aproveitado e é aproveitável na ação psicodramática. Até o desaquecimento do próprio Diretor/Condutor. Colocar-se como o "´protagonista" inicial relatando suas dificuldades estabiliza emocionalmente o diretor/condutor e mostra ao grupo algo do que pode e é esperado acontecer. Como diz Pepeu Gomes: "A noite vai ter Lua cheia e tudo pode acontecer".
segunda-feira, 14 de agosto de 2023
MIles Davis. Mestre.
Não toco nenhum instrumento e sou apaixonado por música. A frase de Nietzsche "A vida sem música seria um erro" poderia ser minha legenda de vida. Vendo uma entrevista de Herbie Hancock em que ele cita o grande Miles Davis como tendo dito a ele após Herbie tocar uma note errada: "It's not the note you play that's the wrong note - it's the note you play afterwards that makes it right or wrong." "Não é a nota que você toca que é errada. É a nota seguinte que faz o acerto ou o erro.". Isso é pura Direção em Psicodrama ou em Teatro Espontâneo. O erro pode ser o início espontâneo de uma nova versão. Se, ao percebermos nosso engano ficamos paralisados procurando consertar, perderemos o ritmo, o timing, bloquearemos nossa criatividade. É a nota seguinte que exibe espetacularmente o nosso engano ou nos coloca em um novo caminho.
terça-feira, 1 de agosto de 2023
Não, nunca são.
Perdi um grande mestre, um grande companheiro, um grande ser humano. Perguntaram-me como estava. E respondi que sabia da situação progressivamente ruim de saúde dele, mas quando aconteceu fiquei triste. "Mas vc sabia que ia acontecer". Sim, sabia. mas o fato, a transição, a morte aconteceu recentemente. Há oito anos tb vivi algo parecido. E isso me remete a que as experiências só são efetivamente lidadas quando acontecem. "As coisas nunca são como imaginamos, ou são melhores ou são piores". Li isso há tempos. O Psicodrama possibilita que o fato imaginado, temido, sonhado, seja, efetivamente, vivido como se fosse realidade real. Não imaginamos o futuro, nem lembramos o passado. O palco psicodramático é um grande máquina do tempo que traz, o passado vivido ou imaginado e o futuro imaginado ou sonhado ou desejado, para o presente da cena. E, no como se psicodramático, vive-se o como é da realidade real. Não, as coisas nunca são como imaginadas. Não apenas são melhores ou piores. Elas podem ser diferentes. A dramatização psicodramática abre a chance de uma outra visão, de uma outra experiência.
sábado, 22 de julho de 2023
De como o Psicodrama cria
É. Eu aprendo e me surpreendo com o Psicodrama. Realizando hoje uma atividade aberta, havia apenas cinco pessoas. A história dramatizada, a partir do aquecimento, nasceu de uma série de palavras e de um gesto. Cm esses tijolos uma pessoa construiu uma sinopse de história. Convidadas para serem egos auxiliares, os participantes só tinham , para se guiar, sua espontaneidade criativa e o clima sugerido. E foi mágico, surpreendente, potente, recriador. Como todos somos seres humanos, sempre, caso deixemos nosso lado espontâneo criativo aparecer, somos capazes de fazer algo da dor, da alegria, da dúvida, da certeza, do outro. E isto aconteceu. E a história dramatizada atingiu a todos. Do Caos houve o Cosmos. Do amorfo surgiu a forma, do nada surgiu o tudo. E Moreno disse: "Sê espontâneo!". E a luz se fez.
terça-feira, 18 de julho de 2023
Certezas e acasos
Quando sentimos que o tempo passou ou está passando? Quando algum evento nos lembra que todo “até logo” pode ser um “adeus”. Pode ser uma perda de vínculo afetivo, morte de ídolo, diagnóstico médico. A consciência de que há um limite. Só que não sabemos se é no próximo minuto ou daqui a cem anos. Para lidar com isso, penso que há alguns truques. Crer-se imortal é um deles. Outro, quase sempre presente em manuais de autoajuda: ”Só vivemos no presente”. Chamo de truques porque, no fundo, não torna mais aceitável a imponderabilidade da vida. Não é mais fácil suportar-se que, façamos o que façamos, o destino é uma loteria. O Acaso representa muito na vida. Por acaso há diversidade genética, por acaso há seleção natural, por acaso há evolução biológica, por acaso vivemos, por acaso morremos. Existir pode ser fácil. Viver, tomar consciência, conviver com o eterno acaso. Einstein não podendo suportar a incerteza da Mecânica Quântica cunhou a frase: “Deus não joga dados”. Talvez Deus seja os dados.
quinta-feira, 13 de julho de 2023
Por que?
Por que escrever tanto sobre Psicodrama? Porque, em relação à outras abordagens e métodos psicoterápicos ele é menos conhecido. E reconhecido. Muitas vezes o método psicodramático é minimizado como teatrinho, representação, mera vivência experiencial. O que o Psicodrama (Nome metonímico de todas as ferramentas socionômicas criadas por J.L.Moreno) trouxe de novo e revolucionário foi trazer ao centro de atenção a tridimensionalidade de todas as ações humanas. A história narrada é linear, é submetida ao leito de Procusto da narrativa. O que vem antes torna-se causa do que vem depois. Coisas simultâneas tem que ser narradas de forma sequencial. O corpo, na narrativa é imaginado, a forma verbal ganha precedência. Na metodologia Moreniana VEMOS a cena, podemos participar delas, el a é concreta e não imaginada, a linguagem analógica gestual pode ser percebida. Ao verbo se acrescenta o corpo e a ação. O palco, onde a cena se desenrola torna-se, por força do aquecimento e do "Como Se", a própria realidade do acontecido, do imaginado, do sonhado. O "Como Se" torna-se "É". Isso é um pouco do mundo psicodramático.
domingo, 9 de julho de 2023
Ok, mas...
Psicodrama é F***! Em uma manhã tivemos uma linda experiência psicodramática. Inicia-se com três pessoas. E, como em todo aquecimento, vamos tateando a melhor forma de fazê-lo. Chega uma quarta pessoa, trazendo uma quinta pessoa. E essa quinta pessoa tem 10 meses de idade. Depois uma sexta pessoa. Sugiro, lembrando-me de uma outra experiência profunda em que tb isso aconteceu, que todos os participantes brincassem de "cacique". Todos os menores gestos feitos pelo mini participante eram por nós imitados. Ele rapidamente percebeu o que acontecia, abriu um sorriso brincalhão e passou a experimentar gestos novos. Isso levou o grupo a um estado de "emoção divertida". Recuperando as consonâncias de cada um dos membros do grupo, chegamos a criar uma história. História, vimos depois, comum e corriqueira, da maternidade, das relações intrafamiliar e interpessoal, das redes ou da falta de redes, da rigidez do certo e saudável ao possível para mim. O papel de Mãe e o papel de Filho (Esse atuado pelo minipartcipante de 10 meses). Com a espontaneidade da criança age, ele participou e entrou na "brincadeira". Escolhendo, negando, chorando.. Ao fim, a expressão de desespero da protagonista: "toda saída que escolho aparece um empecilho". Compartilhando, o Co-Inconsciente grupal Moreniano falou alto. Um participante recém chegado à paternidade, outro que teve a vida vivida em boa parte, por conta própria, dependendo só de si. Uma mãe com história similar à história criada, duas psicólogas infantis. Tudo começou com um "..., mas... E termina com um compartilhamento: A histórias foi de vários ...,Mas..." pesados e em desespero,, e descobrimos que pode haver "...,Mas..." alegres , construtivos e motivadores. Frases soltas: "Tudo passa", "Tudo passa pode nos obrigar a aguentar demais". A vida como ela é. Psicodrama é vida, Teatro Espontâneo é vida.
Postagem em destaque
E assim é.
Experimentar e refletir. Este blog é um espaço para mostrar ideias sobre o psicodrama, sobre o teatro espontâneo. Há mais de trinta anos...
-
Em Socionomia (Psicodrama, Sociodrama, Axiodrama) há um conceito central que não é fácil para ser compreendido e utilizado. Tele. Essa pala...
-
CONVITE AO ENCONTRO ( JACOB LEVY MORENO) Mais importante do que a ciência, é o que ela produz, Uma resposta provoca uma centena de p...
-
AS PALAVRAS DO PAI – XX (Jacob Levy Moreno) Esta é a minha oração: Que todos os seres sejam benditos Com um lugar no Universo, ...