O normal é um conceito estatístico. Ser funcional é um conceito operacional. Estar harmônico é um conceito existencial. Responder adequada e criativamente às circunstâncias é um conceito psicodramático. A adequação em Psicodrama não é, absolutamente,submissão às pressões. Adequação para o Psicodrama é encontra a melhor resposta, a mais produtiva para a cena, a mais criativa para o drama. Portanto, encontrar, criativamente, a resposta mais adequada é pensando no conceito cênico: qual a sequencia que faz sentido para este drama? A espontaneidade amplia o leque de opções ao diminuir as censuras e proibições. a criatividade permite a melhor escolha dentre essas opções dadas pela espontaneidade.
quinta-feira, 28 de maio de 2020
sexta-feira, 22 de maio de 2020
Autoridade ou força?
Força é autoridade? Alguém tem autoridade? A autoridade pertence a alguém? Ou será a autoridade e o respeito algo dado pelo seu papel complementar? Um pai tem autoridade sobre o filho ou o filho dá autoridade ao pai? Reconhece a autoridade de seu papel complementar? Um chefe tem autoridade ou são seus subordinados que lhe emprestam autoridade? Não se pode impor autoridade ou respeito. Pode-se impor a força. A autoridade e o respeito não são pertencentes a quem pensa que os têm. A autoridade e o respeito são reconhecimento do outro sobre mim. Não são meus. Eu posso construir as pontes para que o outro me reconheça como autoridade e me tenha respeito. Mas o poder final concedente é o outro.
segunda-feira, 18 de maio de 2020
18/05/1889 Nascimento de Moreno
Fernando Pessoa escreveu: "Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia, não há nada mais simples. Tem só duas datas — a da minha nascença e a da minha morte. Entre uma e outra coisa todos os dias são meus". Num ano civil comum, a data de morte de Moreno - 14 de maio - vem primeiro do que seu nascimento -18 de maio. Quando nasceu, como todos, era só um desejo e uma promessa. Fernando pessoa diz "todo começo é involuntário". Em seu início ele era um improvável filho de comerciante sefardita. Ao fim da vida, Moreno. Como todos os seres humanos somos construções de acasos, oportunidades e talentos. Moreno tornou-se isso: acasos e genialidade. E todos os dias foram dele.
quinta-feira, 14 de maio de 2020
14/05/1974
O que pensava e sentia Moreno? Se a nossa história ajuda a entender o nosso destino, a história de Moreno é muito clara nesse aspecto. Moreno era filho de judeus sefarditas. Ou seja, judeus expulsos da Espanha/Portugal em 1492. Nascido na Romênia, então parte do império austro-húngaro, fez toda sua formação médica em Viena. Antes de ser médico tinha interesses na dignificação de perseguidos e excluídos (prostitutas, refugiados). E tudo isso dentro de uma perspectiva mística do Hassidismo. Os Hassídicos eram e são uma corrente dentro do judaísmo caracterizado pela fé absoluta na alegria e na potencia criativa de cada ser humano. Seu contato com crianças e excluídos esteve sempre presente em sua vida. A fé na potência grupal surge desde então, ainda distante das intenções terapêuticas. Antes da psiquiatria veio a Arte. O Teatro, principalmente. Mas, mesmo em seu exercício clínico era conhecido como Wunder Doktor - Doutor Maravilha, pelo seu interesse humano e pelo vínculo estabelecido com os pacientes. Da inquietação, do sofrimento, da exclusão (judeu e romeno) surge o 1 de abril de 1921. O império austro-húngaro esfacelado, sem imperador, caos econômico e social. Dentro de seu espírito rebelde, irônico, mordaz, ele convida toda a sociedade vienense para, no Dia da mentira discutir a realidade vivida. Claro que, ao ver no palco um homem de capa verde junto a um trono e uma coroa que, simplesmente, convida a quem quiser assumir a coroa que o faça, reage com violência, uma parte, e outra parte resolve entrar no jogo. Conflito aberto. Essa data marca, simbolicamente, o início do Psicodrama. Não era, efetivamente, ainda Psicodrama, nem havia conceitos nem teoria socionomica. Então, por que essa data tornou-se marcante? Por que nela aparecem as marcas fundamentais do que hoje chamamos de Psicodrama. Desafio, concretização (se não havia um rei ponha-se um trono vazio), crítica às conservas culturais (padrões de comportamento e pensamento repetidos sem questionamento), compromisso com a realidade social, coragem e confiança. Ao morrer, Moreno, retomando seus princípios hassídicos escolhe como seu epitáfio: "Aqui jaz o homem que trouxe alegria e o riso à Psiquiatria".
segunda-feira, 11 de maio de 2020
Perguntas
"Quántas semanas tiene un día y quántos años tiene un mes?"
Essa pergunta encontrei no Libro de las preguntas de Pablo Neruda. Perguntas de criança, perguntas de poeta. mas dão nítida ideia da diferença entre o tempo cronológico, de relógios e calendários, e o tempo vivencial, o tempo da vida, o tempo dos acontecimentos vividos. Ao tempo vivencial, ao tempo da experiência vivida, Moreno chamava de Momento. Os gregos chamariam de Kairós, diferente do Chronus, tempo medido. Kairós, Momento, são tempos qualitativos. Chronus, relógios e calendários, são tempos quantitativos. Isto é o que acontece num palco psicodramático, num sonho, no amor, no prazer, na dor, no sofrimento. Onde o pathos é mais intenso já não se mede o tempo: vive-se o tempo.
Essa pergunta encontrei no Libro de las preguntas de Pablo Neruda. Perguntas de criança, perguntas de poeta. mas dão nítida ideia da diferença entre o tempo cronológico, de relógios e calendários, e o tempo vivencial, o tempo da vida, o tempo dos acontecimentos vividos. Ao tempo vivencial, ao tempo da experiência vivida, Moreno chamava de Momento. Os gregos chamariam de Kairós, diferente do Chronus, tempo medido. Kairós, Momento, são tempos qualitativos. Chronus, relógios e calendários, são tempos quantitativos. Isto é o que acontece num palco psicodramático, num sonho, no amor, no prazer, na dor, no sofrimento. Onde o pathos é mais intenso já não se mede o tempo: vive-se o tempo.
domingo, 10 de maio de 2020
Dia do papel de mãe
Hoje é Dia das Mães. Ou o Dia do Papel de Mãe. Pensando em termos psicodramáticos (socionômicos) o papel de mãe surge da relação com pessoas em que estão presentes os atributos de continência, aceitação, limite, disciplina, incondicionalidade do afeto e, sobretudo, magia de fazer da imaginação uma ferramenta de cura e resolução de problemas. É uma relação assimétrica entre os papéis - o de filho/a e o de mãe. Acolhimento de uma lado do papel e necessidade no outro lado dessa relação. Mas nesse papel materno cabem como atores mães biológicas, mulheres, homens, amigos, amantes, profissionais de qualquer área. A função de acolhimento versus necessidade é a fundante no papel de psicoterapeuta, por exemplo. Pais podem e devem ser mães. Hoje é dia do papel materno, dia da mãe que cada um pode ser na sua relação com o outro.
terça-feira, 5 de maio de 2020
medo e culpa
Esta situação que vivemos, nós seres humanos, todos os seres humanos, criam em nossas relações algumas situações novas. Principalmente pela extensão. Colocando qualquer ser humano num palco psicodramático hoje, apareceriam, provavelmente, um personagem desdobrado em dois outros: Um desdobramento com texto do medo (medo de morrer)e outro desdobramento com texto de culpa (culpa por poder causar dano a seu próximo). O personagem protagônico veria num espelho psicodramático esse possível diálogo impossível:
- Tenho medo de ser contaminado, tenho medo de precisar ir para a UTI, tenho medo de morrer, não posso me aproximar das pessoas, elas podem me contaminar.
- Eu me sinto culpado. E se alguém meu se contaminar? será que pode ter sido eu o contaminador? E se alguém meu morrer será que foi minha causa? Fiz algo indevido? Estou afastando as minhas pessoas?
Voltando a colocar o protagonista no palco ele ficaria dilacerado, puxado em sentidos opostos.
Então, como poderia prosseguir essa sessão de Psicodrama?
- Tenho medo de ser contaminado, tenho medo de precisar ir para a UTI, tenho medo de morrer, não posso me aproximar das pessoas, elas podem me contaminar.
- Eu me sinto culpado. E se alguém meu se contaminar? será que pode ter sido eu o contaminador? E se alguém meu morrer será que foi minha causa? Fiz algo indevido? Estou afastando as minhas pessoas?
Voltando a colocar o protagonista no palco ele ficaria dilacerado, puxado em sentidos opostos.
Então, como poderia prosseguir essa sessão de Psicodrama?
segunda-feira, 4 de maio de 2020
Pessoa again
"Acontece-me, às vezes, um cansaço tão terrível da vida que não há sequer hipótese de dominá-lo".
Fernando Pessoa
Fernando Pessoa
quarta-feira, 29 de abril de 2020
Escolhas
Vamos imaginar um trabalho grupal psicodramático. O agrupamento de pessoas vão chegando, com pouca conversa, e quando há conversa é em tons baixos, conteúdo pessimista, pouca atividade motora, expressão corporal sugerindo desanimo, exaustão ou mesmo tristeza. O Diretor/condutor quieto, sentindo o grupo, deixando-se atravessar pelo clima reinante. Se fosse pedido ao Diretor/condutor seu solilóquio, o que estava passando por sua cabeça naquele momento, talvez ele assim falasse: "O que faço, tento uma atividade de aquecimento mais dinâmica, mais movimentada? Será que estou entrando no clima deprê do grupo e deixando-me levar por ele"? "Ou devo aquecer essas pessoas com imagens ou cenas que reflitam e concretizem o sentimento grupal"? Sempre para o Diretor/Condutor nunca existe um só caminho para aquecer o grupo. São escolhas que a experiência, a técnica, o feeling sugerem para aquele instante. Entretanto, o mais importante é que cada passo dado seja sempre avaliado em relação à resposta grupal. Poder voltar atrás, tomar outro caminho é a atitude psicodramática. Não ficar congelado na escolha inicial. Experimentar e corrigir, se preciso. Não há fórmulas para dirigir o grupo.
segunda-feira, 27 de abril de 2020
O palco
Por que o palco é um dos instrumentos essenciais do Psicodrama? E não precisa ser um palco montado, um praticável de madeira, um palco fixo. Mas um espaço cênico, um espaço em que se destaque o protagonista e sua cena. E para que? O palco, o espaço cênico, é a lente de aumento da cena. Todos os gestos, atitudes, falas, movimentos, se destacam por serem amplificados. Um gesto, algo dito no grupo, ao ser trazido ao palco ganha outra dimensão para o protagonista e para o grupo. O palco no Psicodrama/Teatro Espontâneo corresponde ao close-up, ao zoom de aproximação, ao primeiro plano do cinema. Não se trata apenas de um local, mas um espaço com função definida, instrumental. Então, seu uso não deve ser feito passivamente. Deve ser feito com sabedoria e técnica.
sexta-feira, 24 de abril de 2020
Expectar, esperar
Esperar, ter esperança, expectar, ter expectativa. Embora palavras de etimologia próxima, talvez possamos brincar um pouco com elas. Iniciemos por expectar. Parece-me que expectar é a espera de forma ansiosa. Expectar é formular uma imagem e aguardar que ela se concretize. Esperar, ter esperança, é abrir-se para o novo, deixar-se surpreender pelo inesperado. A expectativa pode ser frustrante. O futuro ao chegar pode não corresponder à imagem criada, à expectativa criada. Ter esperança, esperar, apenas esperar, sem imagens antecipadas, é como a criança que absorve o mundo como ele se apresenta. O adulto, expecta. A criança espera. A angústia do adulto está na expectativa da chegada do imaginado. A alegria da criança está em receber, é alegria do que simplesmente virá. Com essa visão poética podemos pensar o Psicodrama/Teatro Espontâneo com o olhar da espera pueril, de aguardar o que virá sem preconcepções. Tomar o que vem não pelo que não foi, mas pelo que é. E isso, não tão poeticamente, é a atitude fenomenológica: Não expectar e frustrar-se, mas esperar e ver.
“Uma criança é inocência e esquecimento, um novo começo, um jogo, um moto-contínuo, um primeiro movimento, um “sim” sagrado. Para o jogo da criação um “sim” sagrado é necessário”. Nietzche
"Não deixe que a próxima vez saiba demais sobre as vezes anteriores" Moreno
quarta-feira, 22 de abril de 2020
Marinheiros e tempestade
De todos os atributos humanos, talvez, o mais útil para sua sobrevivência haja sido a antecipação do futuro. Essa possibilidade de antever as consequências e desdobramentos de sua ação, deve ter sido fundamental para lidar com um ambiente em que sua características eram desfavoráveis comparada às de outros animais. Mas, tudo tem seu preço. E o preço é a ansiedade, o temor do futuro, o sentir-se menor de que seus medos. Há um verso de Rainier Maria Rilke, em Elegias de Duino, que diz assim: "Vagueiam leões, ainda, alheios ao desamparo enquanto vivem seu esplendor". Antecipar o futuro nos tirou do viver nosso esplendor e ampliou o nosso desamparo. Então, o ser humano está sempre diante da interrogação do futuro. Com a consequente apreensão, com o aperto no coração. A isso chamamos de ansiedade, angústia (aliás, essas duas palavras vêm do radical latino anx significando aperto). E o nosso truque existencial para lidar com isso sempre foi o controle, o tentar controlar o futuro, tentar nos convencermos que realmente dirigimos nosso destino. A maioria das pessoas vive suas vidas com esses truques e sobrevivem. Muitas, entretanto, não conseguem usar esses truques ou realmente acreditar que eles funcionem. A esses chamávamos de ansiosos. Para essas pessoas existia a psicoterapia, a psiquiatria, a medicação. E hoje, em tempos de Covid-19? A ameaça é geral, generalizada, invisível, incontrolável individualmente, sem certeza nenhuma de futuro. Hoje, todos estão como muitos ficavam antes. Temerosos, impotentes, recorrendo a qualquer sugestão que lhes dê alguma sensação de domínio sobre seu presente e seu futuro. Sensação, não certeza. O que dá a certeza hoje é só o fanatismo de qualquer ordem. O que a razão, o raciocínio, o pensar nos dá é angústia. Fernando Pessoa diz: "Quem tem alma não tem calma". O pensamento fanático de qualquer tipo desumaniza o ser humano ao congelar seu pensamento e raciocínio. Hoje meu trabalho, enquanto profissional da área Psi, é, primeiro situar a pessoa nesse contexto, lembrando que em tempos anormais o normal, o comum, é sentir-se anormal, diferente de seu habitual. Nós, os profissionais também somos presa desses mesmos sentimentos e emoções que os que nos procuram trazem. Então, é segurar a onda. Como marinheiro em tempestade. leva o barco devagar, sem movimentos bruscos, evitando que o barco vire e afunde. Mas a tempestade está em volta. Existe a convicção no marinheiro que só lhe cabe esperar e evitar piorar o que já está ruim. O palco psicodramático, a cena psicodramática, permite, possibilita que o protagonista possa experimentar dentro da cena dramatizada seus temores de futuro. Para sair da imobilidade impotente e angustiante. Para fugir do congelamento de sua humanidade pelo fanatismo. Para testar possibilidades. Boas e ruins. Ao nosso Psicodrama cabe o recurso de usar esse palco, a cena para concretizar os temores e levar cada um a experimentar possíveis jeitos de lidar com a tempestade.
"Faça como o velho marinheiro
que durante o nevoeiro
leva o barco devagar".
Argumento, Paulinho da Viola
segunda-feira, 20 de abril de 2020
Uma tela em branco
Um papel ou uma tela em branco. A sensação é parecida com estar diante de um grupo do qual nada se sabe. Esse sinal "?" é sempre meu sinal de pontuação inicial numa situação dessa. Não sei. Parto disso. Não sei. E se não sei, pergunto. Ou seja, crio condições para o grupo ir me direcionando. O contrário disso seria iniciar um grupo qualquer impondo um plano pré-concebido. Algo que se vê agora nesses tempos sombrios nas chamadas redes sociais (e que não são sociais. São redes comerciais travestidas de sociais). Encontro muitas e muitas pessoas, nessas redes, dizendo o que o outro deve fazer, deve sentir, como deve se comportar. Durante o aquecimento em uma atividade psicodramática, o diretor/condutor está sempre atento para ver e sentir como o grupo reage e lida com as instruções de aquecimento. E vai moldando sua intervenção pela resposta do grupo. Só imaginando: uma atividade após o almoço. Um aquecimento que centrado no relaxamento conduzirá a uma sono coletivo. Mas, pode ser que o grupo necessite de um intervalo real de relaxamento. Enfim, as regras são construídas no grupo, pelo grupo e para o grupo. Cabe a quem dirige a atividade ouvir e escutar; olhar, vê e enxergar o grupo.
sexta-feira, 17 de abril de 2020
Fernando Pessoa me persegue (ou eu a ele)
Há um verso de Fernando Pessoa: "Todo começo é involuntário". Interpretar poesia é uma armadilha e uma traição ao poeta. Poesia sente-se. Com a cabeça e o coração. Então, para mim, esse verso remete à experiência psicodramática. Para mim, sugere que há de se aproveitar s coisas como as coisas se apresentam. Não se pode produzir o grupo ideal, o mundo ideal. Os começos são involuntários, são espontâneos, mas sua continuação necessita de criatividade. Conduzir uma atividade psicodramática qualquer com planos elaborados, roteiros a serem seguidos, sequencias de aquecimento pré-determinadas, ou seja, planejar uma atividade de Psicodrama, retira dela a experiência fundamental: Deixar-se conduzir pelo grupo. Moreno dizia: "Throw away the script". "Jogue fora o roteiro". Isso é aceitar o "involuntário" de Pessoa. Entretanto, isso tendo sendo aceito (e aceitar isto é a espontaneidade moreniana) sua continuidade necessita da criatividade para melhor levá-la a cabo.
sexta-feira, 10 de abril de 2020
Anacronismo
Curioso como determinadas palavras e conceitos se integram ao acervo humano e, mesmo sendo anacrônicas, são usadas continuamente. Por exemplo, quando alguém se destaca em alguma coisa torna-se o Rei ou Rainha ou Princesa ou Príncipe daquele algo. As palavras republicanas não tem força afetiva no imaginário. Até bobo da côrte é representativo. E como! Até aí é uma curiosidade. Mas, quando, apesar de esforço da Psiquiatria e da Psicologia, continuam a ser usadas expressões como "é um louco, é um débil mental, é psicopata, isso é loucura, só pode ser doido, só internando num manicômio, bota camisa de força", aí eu me preocupo. A loucura, o adoecer mental (afinal, o cérebro é um órgão que pode funcionar mal. Como qualquer outro órgão), esses termos e conceitos deveriam ser restritos ao âmbito diagnóstico e terapêutico (e mesmo assim, já não são usados!). Não deveriam, não podem, ser usados como forma de qualificação da experiência humana desastrosa. Independente do adoecer, existe a responsabilidade individual. Existem os erros de conduta, existem os crimes, e eles não podem, de nenhuma maneira, ficarem sob o manto do adoecer mental.
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