Há muitos anos li, era criança, em pé-de-página da revista Seleções, esta frase de John Gardner: "Viver é a arte de desenhar sem borracha". O desenho pode ser iniciado com a intenção de um barco, mas aparece uma linha curva e o desenho vai-se tornando uma onda no mar. Vai-se aproveitando cada traço, planejado ou acidental, para um desenho final que faça sentido, ao terminar. O escritor Fernando Sabino contava que o seu avô dizia que "as malas se arrumam no bagageiro durante a viagem." No Psicodrama isto seria denominado de ato espontâneo-criativo. Espontaneidade não é, definitivemente, fazer o que se quer, pura e simplesmente. Espontaneidade é como John Gardner e o avô de Fernando Sabino diziam: É poder estar aberto para o que acontece, é poder mudar de plano A para plano B ou C ou Z. É poder escutar e enxergar a circunstância. Isto, quando acontece, fornece à criatividade um terreno mais amplo de possibilidades. Espontaneidade é uma autopermissão para a criatividade fazer a melhor escolha para aquela cena, momento ou circunstância. Dirigir no Psicodrama é isso.
segunda-feira, 13 de junho de 2022
domingo, 29 de maio de 2022
Mia Couto
"E ainda mais se explicou: primeiro, não fomos nós porque éramos filhos. Depois, adiámos o ser porque fomos pais. Agora, querem-nos substituir pelo sermos avós." O fio das missangas, Mia Couto. Esse período de Mia Couto me chega no momento em que sou avô pela terceira e quarta vez. È trecho de um conto curto, denso e doloroso. Como estou em plena fertilização desse papel, avô, me remeteu ao olhar psicodramático. Toda interação se dá por meio de papéis. Ou seja, o papel é a condensação de fala, conteúdo, afeto, gestual, na interação. Como um papel teatral, os papéis modificam-se à medida que o papel complementar se altera. Com um aluno, sou professor. Com meus filhos, sou pai. Com os amigos sou amigo. Com o chefe, sou subordinado. Com o subordinado, sou chefe. A interação entre papéis é mediada pelo vínculo. Portanto, quanto mais me vincular a múltiplas pessoas e interesses,, mais papéis desenvolverei. A cristalização de um papel, o tornar-se único, faz-nos compreender a escassez, a pobreza vincular, daquele que tenha esses papéis, cristalizados, tornados únicos. Pobreza de papéis = pobreza de vínculos. Naquele conto de Mia Couto, o doloroso é perceber como o personagem resumia sua vida a papéis familiares, em que cada um sucedia ao anterior e o aprisionava até o próximo. Uma sucessão de ilhas afetivo vinculares. Prisão e revolta. A personagem diz "adiámos o ser...". Para a visão socionômica o ser é sempre relacional, ele se constitui com o outro. O ser não é anterior ao outro. Ele nasce deste encontro. Menos encontros, menos vínculos, menos papéis, menos sensação de ser.
terça-feira, 17 de maio de 2022
Itabira e o sósia
Conversando com um paciente, ele falou de alguém que havia encontrado um seu sósia. De imediato, retruquei: "O sósia se parece mais com você do que vc mesmo!". O paciente olha para mim com cara espantada e pergunta: "Como assim?". Resposta minha: "É que o sósia é cópia da imagem que está na memória de quem o conheceu há muito tempo. O sósia é uma imagem sua que não se alterou pelo tempo nem pela suas vivências pessoais". Quando vemos um sósia o termo de comparação é a nossa imagem mnêmica do passado que não se transformou. A pessoa real, no presente, é aquela imagem mais tudo o que lhe aconteceu. O sósia a imagem conservada na memória. E esse termo, Conserva, é uma palavra que se refere a um conceito Moreniano referindo-se a nossa relação com os fatos culturais. Quanto uma determinada obra de arte se transforma em "A Obra De Arte" ela corre o risco de virar uma conserva cultural, no dicionário psicodramatiquês. Algo estático, icônico. Ícone em grego é imagem, figura. E isso também acontece com a nossa narrativa de vida, nossas perdas, nossos ganhos. Também eles tendem a se cristalizar em conservas. Quando Carlos Drummond de Andrade refere-se a Itabira, sua cidade natal, como "É apenas um retrato na parede. Mas como dói!", ele esta transformando uma conserva cultural numa vivência pesoal. "Desconservando" o "apenas um retrato na parede" para uma relação íntima com seu passado, suas histórias, seu presente e suas dores. E quem faz esse papel terapeutico é o "Mas" do verso, a abertura de outras formas de vivenciar o já vivido. Isso é psicoterapia. Isso é Psicodrama.
quinta-feira, 12 de maio de 2022
Tentar e experimentar
Ao escutar qualquer paciente dizer: "Vou tentar fazer", costumo retrucar: "Experimente em vez de tentar!". Em seguida, em geral, digo, "Tentar é álibi para não conseguir". E há, psicodramaticamente, uma profunda diferente. A pessoa, ao usar a expressão "vou tentar", absolutamente, não se põe verdadeiramente, a agir. E está sempre com "um pé atrás", capaz de parar, interromper sua ação a qualquer momento, por qualquer dificuldade ou empecilho. Sua alma não está na ação. Ao experimentar a alma encarna-se na ação. Para evitar ou ajudar a que isso não aconteça, é que no Psicodrama e em todas ações Socionômicas inicia-se pelo aquecimento. No começo para situar a pessoa ou o gupo a se situar no espaço-tempo do palco. Depois, ao aparecer o protagonista do grupo ou iniciar-se a dramatização do protagonista em atendimento Bipessoal, é necessário aquece-lo, ou seja, prepará-lo para a dramatização. No tempo e espaço da ação. Todo esse tempo investido no aquecimento tem seu resgate na dramatização. Aquecido, o protagonista experimenta verdadeiramente, a segunda-vez do fato, vivencia, dentro da realidade suplementar, como real, o dramatizado. Não há tentativas. Há experimentações à vera.
sexta-feira, 29 de abril de 2022
situação ideal?
Esperar a situação ideal é ilusório. O método Psicodramático ou Socionômico pressupõe que tomemos a realidade tal como ela se apresenta. O Diretor/Condutor não carrega o grupo, não é o responsável solitário pelas decisões e escolhas; cabe ao Diretor/Condutor, seguindo o método Socionômico, ter sempre em mente que ele é membro do grupo, em papel diferenciado; trazer para o grupo os problemas e dificuldades porque ao grupo cabe encontrar a forma melhor e adequada de lidar com estes percalços. Enfim, o método Socionômico é a nossa ferramenta para lidar com as dificuldades operacionais. Há que se viver o método, tornando-o parte inerente do exercício de todos, todos mesmos, instantes da atividade grupal. Ou seja, dificuldades e problemas podem ser aquecimento para a próxima cena. Limitar-se ou desesperar-se por acidentes, esvaziamento do interesse, desaquecimento, é, com certeza, levar uma situação grupal difícil a uma situação grupal impossível. Isto faz parte das funções do Diretor/Condutor: estar atento ao ritmo, ao aquecimento, ao interesse grupal, a si mesmo, enfim.
terça-feira, 19 de abril de 2022
Rir de, Rir com
segunda-feira, 11 de abril de 2022
Deborah, Psiquatria, Psicodrama
Quando cheguei, devagar, aos 70 anos, tive a minha maior experiência estética-mística-afetiva-filosófica-psiquiátrica-psicodramática. Assisti, pela segunda vez (na estreia e agora) ao espetáculo de Débora Colker - A Cura. Como dizia Moreno - A segunda vez liberta a primeira - esta segunda vez me pegou além da magnífica experiência estética da primeira. Dessa vez a expressão hebraica Hineni - Eu estou aqui - foi a chave que abriu meu portal pessoal. Na criação de Débora trata-se da relação do ser humano com a sua dor. Mas, isso me levou além, muito além do horizonte. Na Psiquiatria, no Psicodrama, todo o tempo nos encontramos diante da relação do ser humano com sua vivencia temporal. O existir é no presente, o presente é. Sem mais. Entretanto, a pessoa tem memória, que nos liga ao passado e o cria. E tem imaginação, que nos liga ao futuro e o cria. E a memória constrói sua versão dolorosa, a culpa. E a imaginação constrói sua versão ameaçadora, a angústia. Ao viver pendulando entre a culpa e a angústia, entre o passado que devia ou podia ter acontecido, e o futuro, que nos ameaça de acontecer, o ser humano sai de seu presente, onde realmente existe. No Psicodrama, Moreno e Zerka sempre insistiam para todos as dramatizações acontecerem no tempo presente, não contadas no passado ou no futuro. Não como isto aconteceu ou acontecerá. Mas, como "está acontecendo". Ancorando a pessoa no seu presente. E é no presente, na experiência imediata, que é possível criar uma nova relação com a dor. Daí o Hineni. "Eu estou aqui" é uma vivência profunda de iluminação, potência e criação. Obrigado, Débora Colker (E a todas as pessoas que criaram e executaram uma obra de arte coletiva).
quarta-feira, 6 de abril de 2022
Poetas e diretores de Psicodrama
Chico Buarque em sua música Choro Bandido diz, à certa altura: "o poetas como os cegos sabem ver na escuridão. O poeta Thiago de Mello diz: "Faz escuro, mas eu canto". E isso nos ajuda em que no Psicodrama? Talvez em lembrar, sempre e sempre, que a condução de um grupo exige algo mais além que o conhecimento teórico. Exige algo da alma do poeta, da sensibilidade de perceber além do imediatamente iluminado, de, mesmo se tudo estiver escuro ou nebuloso, é possível se continuar. Mas esse continuar não é carregar o grupo nas costas. É usar sua sensibilidade poética em perceber além, para, junto com o grupo, escolher os caminhos.
terça-feira, 29 de março de 2022
1° de abril vem aí!
Aproxima-se o aniversário da data considerada inaugural do Psicodrama. 1° de abril de 1921. faremos agora 101 anos de nosso método de trabalho, do exercício dos fundamentos do Psicodrama como forma de ver, ler e viver o mundo e suas relações. Pois é isso o Psicodrama: muito mais que uma técnica, muito mais que um método. É uma Weltanschauung. Essa longa palavra em alemão quer dizer COSMOVISÃO. Visão do todo cósmico: Universo, Terra, Natureza e relações interpessoais.
"Minha filosofia tem sido mal-entendida e desconsiderada em muitos círculos científicos e religiosos. Isso não me impediu de continuar a desenvolver técnicas provenientes da minha visão de como o mundo realmente deveria ser estabelecido. É curioso o fato de que esses métodos - Sociometria, Psicodrama, Psicoterapia de grupo -, criados para implementar uma filosofia fundamental de vida subjacente, têm sido universalmente aceitos, enquanto a filosofia é relegada aos cantos escuros das estantes da biblioteca ou de todo esquecida." J. L. Moreno
terça-feira, 15 de março de 2022
Chico e Nelson
A leitura de um texto me estimulou a reler a peça de Nelson Rodrigues , de 1957, "Perdoa-me por me traíres". E, ato contínuo, pensei na versão cinematográfica de 1980, que tem a música de Chico Buarque "Mil perdões", na qual ele termina dizendo: "Eu te perdoo por te trair". O título da peça de Nelson é dito pela personagem que se supõe traída. O verso da canção de Chico é dito pela personagem que trai, Saindo da peça e do filme, fiquemos apenas com o verso da música e o título da peça, "Eu te perdoo por te trair" e "Perdoa-me por me traíres". Se montarmos como um diálogo, seria:
- Suposto traído - Perdoa-me por me traíres! (suplicando e culpabilizando-se)
- Suposta traidora - Eu te perdoo por te trair! (enfaticamente condescendente e culpabilizante)
O que seria o esperado seria o traído poder ser clemente do alto de sua condição de vítima e a personagem traidora pedir perdão e humilhar-se. Mas a genialidade de Chico e Nelson iluminam, psicodramaticamente, os diálogos ocultos e subentendidos. Explicitam, desvelam. Em cena psicodramática talvez esse diálogo desvelador estivesse na boca dos Egos Auxiliares que, em Psicodrama, podem fazer esse contraponto que chamamos de Duplo ou Dublagem.
quinta-feira, 10 de março de 2022
luzes, cenários
Tenho pensado muito sobre o efeito do cenário e iluminação sobre o palco. Claro que, para quem é de teatro ou cinema, isto não é dúvida. É certeza. Mas trazendo para o nosso universo psicodramático talvez não seja tão óbvio assim. O nosso palco real é o mundo, é o nosso corpo. O palco numa sala ou num espaço qualquer é uma representação analógica do nosso mundo/corpo. Se aquela dúvida inicial for trazida para essa nova referência o que seria cenário e iluminação, então? Cenário seria o pano de fundo da sociedade onde viva o protagonista. E nesse caso pode haver, e há, cenários superpondo-se a cenários: mundial, nacional, regional, familiar e outros mais que possam ser identificados. A iluminação corresponderia ao clima afetivo do entorno, o zeitgeist. No palco teatral o cenário é comentário, ambientação, localização de onde se passa a cena, sugestão. No palco teatral a iluminação é um narrador e comentarista, um reforçador da cena, um indicativo, um criador de clima afetivo. No mundo psicodramático podemos montar esses múltiplos cenários e luzes atravessadores e constituidores do protagonista. Se tudo isto que dissemos sobre cenário e luz trouxermos para o palco psicodramático, abre-se um portal para sairmos de uma visão exclusivamente subjetiva, solipsista (eita !) e passarmos a ver a pessoa dentro de cenários múltiplos e iluminações cambiantes.
terça-feira, 1 de março de 2022
profissional, amador e aquecimento
Enquanto me preparava para escrever agora me dei conta que não tinha motivação para escrever, estava sem vontade de escrever. Então, pensei quantas vezes isso acontece em outros papéis de nossa vida? E quando Condutor de Psicodrama quando está sem ânimo para dirigir um grupo? E se o psicoterapeuta não está em seus melhores dias para a sessão psicoterápica? Einstein dizia que o Gênio é resultado de 1% de inspiração e 99% de transpiração. Talvez aí resida a diferença entre o que se chama de profissional e amador. Talvez o que se chama de amador é aquele que todo o tempo depende de motivação, de inspiração. Antigamente, em minha infância, diferenciávamos o jogo de brinca do jogo à vera. Um, de brinca, jogávamos sem compromisso. No jogo à vera era de verdade (à vera!), se perdia ou ganhava, efetivamente, a gude ou a partida de futebol ou ping-pong. Então, ao começar a escrever, estava me aquecendo para o meu papel de escritor de blog, falando das dificuldades e ao mesmo tempo exercendo meu papel. O aquecimento no Psicodrama é o preparação do grupo ou da pessoa para os próximos passos de grupalização e dramatização. Nem o agrupamento de pessoa ainda é um grupo nem a pessoa está à vontade para uma dramatização. Em todos os papéis que desempenhamos na vida é necessário o aquecimento, as coisas não estão prontas, a inspiração não tem hora marcada. Assim ao iniciarmos o desempenho de qualquer papel em nossas vidas podemos fazer como todos os profissionais fazem: Começam fazendo, não esperando a vontade de começar a fazer.
sábado, 19 de fevereiro de 2022
seriedades
Mais uma vez aprendendo com pacientes. Em um momento, veio à tona a palavra seriedade. aplicada ao exercício da atividade profissional. "Sou um profissional sério". E aí me veio um questionamento/reflexão. "O que ele está definindo como sério?". Poderia ser sério no sentido de comprometido e responsável ou poderia ser sério como sinônimo de sisudez, de "não brincar em serviço?". Lembro-me de uma capa da revista Chico Bento de Mauricio de Sousa (Ela está plastificada e anda comigo!). Não sei se conseguirei formar a imagem com as minhas palavras. Na capa estão Chico Bento e o pai. Na roça, trabalhando. O pai de Chico cavando o solo. E Chico Bento, em primeiro plano, cavalgando uma picareta como se fora um cavalinho, abanando o chapéu de palha, um sorriso largo no rosto. E a terra estava sendo trabalhada. Ele estava seriamente comprometido com o trabalho, cooperando com o pai. E não estava sério, sisudo, pesado, sofrido. Ele sorria e executava sua tarefa. Moreno, criador do Psicodrama, insistia de que o riso era tão importante quanto o choro. A alegria não pressupõe fatuidade (palavra complicada significando frivolidade, insensatez). Entretanto, no senso comum, "muito riso, pouco siso". A seriedade, ser sério, é pouco riso. Mesmo em nossa área, em Psicodrama, Psicologia, Psiquiatria, o riso não é bem visto. As catarses sempre levam a supor choro e dor. O riso catártico, aberto, destruidor de mitos e cristalizações, não é bem visto. Seriedade é compromisso e não sisudez. O riso e o choro são lados da mesma moeda, mas, às vezes, o riso pode ser mais libertador que o choro cristalizado e já conservado.
"Moro em minha própria casa
Não imito ninguém
Rio-me de todos os mestres
Que nunca se riram de si" NIETZSCHE
domingo, 6 de fevereiro de 2022
maturidade?
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022
"Eu sou egoísta"
Na letra de "Eu sou egoísta", de Raul Seixas, há este verso: " O que eu quero é o que penso e o que faço". O pensar, o querer e o agir são as três vertentes de nossa aproximação ao mundo. Pensamento, Sentimento, Ação. São os nossos três braços que fazem o nosso mundo. Jnana, Bahkti, Karma: as três portas do templo. Afetividade, Cognição, Volição. Os Gregos deram o nome de Harmonia à filha de Ares (deus da guerra, violento e sanguinário) com Afrodite (deusa da beleza, amor). Então harmonia é o modo de conciliar, "harmonizar", opostos, contrários ou diferentes. Harmonizar o vinho com a comida é encontrar um ajuste "harmônico" entre o sabor do vinho e o sabor da comida. Parece que apenas a palavra "Harmonia" consegue transparecer o sentido e o conceito dela própria. Os sinônimos gramaticais não são sinônimos poéticos e, muito menos, existenciais. O que o Mestre Raul diz em sua letra é que o que ele quer (afetividade, desejo) corresponde ao que pensa (esfera cognitiva, nossos conceitos) e se ajusta à sua ação no mundo. Isso é harmonia. A minha harmonia. E, talvez por isso, Raul tenha intitulado de "Eu sou egoísta". Mas, isto, tanto o santo iluminado quanto o pleno sacana podem sentir. Sentirem-se harmônicos, sem angústia, sem conflito, sem ruídos de engrenagem. Então, a essa harmonia entre as esferas da afetividade, cognição e ação há que se juntar, para separar o pleno sacana do santo iluminado, a esfera ética: o modo como me conduzo em relação aos demais, como a minha harmonia pessoal não desarmoniza a harmonia do outro. Como a minha harmonia pessoal pode conduzir à harmonia do outro. Os Hindus tinham o conceito do Bodhisatva, aquele que desiste de sua iluminação pessoal, de alcançar o estágio de Buda, para permanecer entre aqueles que precisam de ajuda. O Psicodrama comporta a esfera de ação clínica (O Psicodrama, propriamente dito), ação com grupos de papéis sociais (Sociodrama) e o Axiodrama, a nossa vertente que explora, revela, faz aparecer, a dimensão dos valores éticos. A verdadeira sabedoria é que a que ultrapassa a harmonia pessoal para fazer germinar a sabedoria grupal, coletiva.
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